Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

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do youtube/google: nicolelis e seus macacos biônicos

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[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=7-cpcoIJbOU]

Quem são os brasileiros que te dão orgulho? Minha (limitada) lista ganhou um nome de peso durante uma apuração: Miguel Nicolelis.

Fanático pelo Palmeiras, Nicolelis é pesquisador do Laboratório Médico da Universidade de Duke. Sua especialização é neurociência e o motivo do orgulho é exemplificado na matéria da BBC acima.

No seu experimento de maior sucesso, Nicolelis ligou os neurônios de um macaco a um sistema eletrônico conectado a um braço mecânico. Após horas mexendo em um joystick, o macaco percebe que pode controlar o braço mecânico com o cérebro.

Foi a primeira conexão feita pela ciência entre chips e neurônio animais, o que abre precedentes para ciborgues de verdade.

Fui descobrir depois que Nicolelis também tem um blog sobre o assunto no G1, o NeuroLog.

Não bastasse, Nicolelis criou um grupo de estudo sobre o assunto em Natal (!) (RN) – é o Instituto Internacional de Neurociência, onde trabalha em conjunto com o pesquisador Sidarta Ribeiro.

Written by Guilherme Felitti

April 23rd, 2007 at 12:52 am

o retorno ao velho del.icio.us

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Desisti de usar a nova extensão oferecida pelo del.icio.us para o Firefox. Não deu. Encontrei a novidade no TechCrunch há semanas, que afirmava que, de tão boa, atrairia quem ainda tinha um pé atrás com a rede.

Atualizei. Ao invés de oferecer ícones que taggeam a página sem que ela se feche e que levam o usuário a sua lista de sites favoritos, a extensão acumula as notícias em uma nova barra no Firefox, além de todas as tags usadas pelo usuário num menu parecido ao de Histórico.

Problema é que a extensão deixou meu Firefox lento. Demais. Atualizo meu del.icio.us freqüentemente todos os dias. A cada atualização, o browser travava por alguns segundos para carregar o novo endereço na barra de favoritos.

E, no trabalho, onde fiz o experimento, meu PC está longe de ser uma carroça e a banda é bastante larga.

Em casa, com equipamento menos sofisticado, a extensão original continua funcionando maravilhosamente bem – afinal, não precisa das últimas notícias taggeadas bem na frente dos meus olhos.

Só eu tive este problema?

Written by Guilherme Felitti

April 18th, 2007 at 2:02 am

a história por trás do Moto-A-Porter

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Durante o São Paulo Fashion Week, a Motorola resolve convocar blogueiros nacionais e internacionais para cobrir o evento de moda sob o Moto-A-Porter, blog coletivo de moda que gerou debates sobre a validade de uma empresa incentivar o “peer-content” .

Por meio do Blue Bus, Marcelo Tas saiu a público criticando a iniciativa por ser “plantada” pela Motorola. O fundador e editor do Blue Bus, Júlio Hungria, concordou com Tas, afirmando achar “incômoda (para a internet) a promessa dos ‘maiores blogueiros do mundo’”.

A reação foi imediata: no seu blog e no Moto-A-Porter, Marisa Toma, do Objeto de Desejos, classifica o comentário de Tas como um “ataque de ciúmes” e clama a cobertura dos 21 blogs como honesta, mesmo atrelada a uma marca.

O que você não sabe é que a própria Motorola se sentiu incomodada com a polêmica. A começar pelos comentários no post de Marisa no Moto-A-Porter – alguns deles foram publicados, de maneira anônima, por funcionários da Ag_407, que coordenou o projeto.

O comentário número 10, de “ed”, por exemplo, foi publicado por Alex Schönburg, sócio da Ag_407, apresentado poucos argumentos plausíveis (“Come one”???) – as informações vêm de envolvidos extremamente confiáveis.

Mais que isto: após o IDG Now! questionar a Motorola sobre o pagamento de blogueiros nacionais e internacionais, sua assessoria acionou a responsável por fazer a ponte entre a Ag_407 e os blogueiros.

Um e-mail foi disparado afirmando que, caso jornalistas perguntassem sobre remuneração, blogueiros deveriam responder que estavam nesta não pelo dinheiro, mas pela “iniciativa inovadora”e pela “maravilhosa oportunidade” de fazer o blog.

A resposta polida da Motorola se transformou em post no Blog dos Blogs, do editor do Now!, Ralphe Manzoni Jr.

Por fim, a Motorola emprestou a cada blogueiro um aparelho MotoRizor Z3 para tirar fotos e fazer vídeos para o blog, prometendo que o aparelho seria do blogueiro. O evento de moda terminou no dia 29 de janeiro.

Setenta oito dias (and counting) após o SPFW, o celular ainda não foi entregue. Jabá? Cada um escolhe se aceita ou não, mas prometer e não cumprir é, no mínimo, deplorável por parte de uma grande empresa.

Em outubro do ano passado, a Nokia, concorrente mundial da Motorola, fez uma campanha silenciosa na blogosfera, pagando para blogs como o Sedentário& Hiperativo e GameReporter para divulgar boatos sobre o tal de Mysterious Ad.

Comenta-se que a empresa pagou 500 reais a cada blogueiro pela divulgação. O buzz rendeu – veja no BlueBus, no Flickr e no Technorati.

Outras empresas já investem na blogosfera nacional com ações de marketing não tão camufladas como a Nokia – veja a Antártica e os Estúdios Fox com blogs como o Jacaré Banguela, blog do Noel e Marmota.

Até mesmo a Nissan, em sua perigosa campanha da suposta volta da banda “The Uncles” para vender o sedã Setra, recorreu à blogosfera (seria irresponsabilidade dizer se por pagamento ou não).

Na teoria, a iniciativa da Motorola é louvável. Mas sua prática enrolou-se no mesmo corporativo que empresas aplicam na hora de tratar com blogs, vistos como meios de divulgação baratos.

Mais triste ainda notar um certo deslumbramento de quem participou – veja o e-mail enviado por uma das blogueiras para “convencer” seus colegas. Assim, a seriedade se manterá a quilômetros de distância da blogosfera brasileira.

Written by Guilherme Felitti

April 18th, 2007 at 1:48 am

a ilusão de não ter Stand Center

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No primeiro final de semana após o pedido de fechamento oficializado pelo Ministério Público Federal, o público no Stand Center continuou o padrão: intenso, tanto no sábado, quando passei na frente, quanto no domingo – informações de confiáveis.

Ou ninguém ouviu a história ou aproveitou para as compras finais. Para estes, a Justiça Federal acabou de acalmar com uma sobrevida do shopping de (maioria de produtos) ilegais da Avenida Paulista.

Nesta segunda (16/04), a juíza Silvia Figueiredo Marques da 26ª Vara Cível da Justiça Federal, em São Paulo, proferiu decisão derrubando o pedido do Ministério Público Federal.

O motivo? Sem provas concretas, não se pode punir todos os vendedores no centro de compras por um grupo (esmagador, vale dizer) que vende produtos contrabandeados, alega a CBN.

Por mais que, éticamente e juridicamente a decisão seja corretíssima, é quase evidente que a juíza Silvia Figueiredo Marques nunca colocou os pés no número 1.098 da Avenida Paulista.

Written by Guilherme Felitti

April 17th, 2007 at 3:36 am

a The Economist e o iPod dos livros (ou literatura 1.5)

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A The Economist da semana passada trouxe uma ótima matéria sobre a suposta mudança que os leitores deverão experimentar na (atualmente) simples ação de ler com a digitalização de livros em curso – hoje, liderada pelo Google e seu Books.

A notícia vai ao ponto que você está pensando.

There is an obvious analogy between what Apple’s iPods have done to CD players and what electronic books may do to the printed page, but the shift is unlikely to be quite so comprehensive. The simplest difference is that transferring one’s old music CDs onto iPods is easy, whereas transferring one’s old books onto an e-book is impossible.

Num mercado com potencialmente 10 milhões de livros digitalizados só pelo Google (contas da publicação), onde está o iPod dos livros? Seria caso não só de dizer que a Sony saiu na frente com seu Reader, mas que foi a única a largar.

O aparelho, semelhante a um smartphone, recebeu elogios do crítico da revista Weekly Standard, David Skinner, pela presença do papel eletrônico, que dá o mesmo contraste ao e-livro que as encadernações de papel – esta sempre foi a principal dificuldade de quem se arriscou no setor.

Em seu blog, de onde o link de Skinner foi retirado, Pedro Dória discorre sobre o impacto do iPod na sua vida e remete a um fetiche com sua prateleira de livros crivada de lombadas coloridas.

Encarar o Reader como ameaça às sempre belas prateleiras de livros (Guilherme book freak) é como imaginar que vinis e CDs seriam dizimados com o iPod – colecionadores sempre terão seu espaço.

A transição para o e-livro, porém, deverá demorar ainda mais que a música digital, a começar pela escassez digital da literatura – a Web 2.0 tem tantos exemplos com música, mas alguém conhece algum com livros?

O Reader também não tem concorrentes e, além de caro (350 dólares!), ainda não conta com uma plataforma de venda poderosa o suficiente para alavancar a leitura de livros em formato proprietário, como o iTunes.

Se quiser, o Google pode ajudar bastante a forçar uma mudança rápida no setor. De novo (anúncios online, anyone?), pode depender da empresa de Page e Brin transformar algo ignorado num setor milionário.

Written by Guilherme Felitti

April 4th, 2007 at 6:56 am

Lula recebe seu ClassMate PC

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lula_classmate

Assim como a cobertura de Lula com o primeiro XO fabricado, a Intel divulgou na semana passada (ô atraso, guilherme) César Alvarez, assessor especial da Presidência, entregando um ClassMate PC ao presidente.

Ao contrário do que afirma o Engadget, porém, este não é o primeiro ClassMate PC do Brasil – a honra cabe a Roseli dos Santos, pedagoga ligada ao LSI da USP, que tem o portátil desde outubro.

Written by Guilherme Felitti

March 5th, 2007 at 10:23 pm

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OLPC: o servidor empaca, a MPB (finge que) ajuda

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O Governo Federal confirmou no final da última semana que a fabricação nacional do servidor usado pela organização One Laptop per Child está “a perigo” (as frases entre aspas são citações literais).

O órgão responsável afirma que o Brasil nem confirmado para a produção, como Nicholas Negroponte prometeu ao visitar o presidente Lula em novembro, está.

O Governoa avalia que Negroponte fez a declaração para diminuir as pressões nacionais para fabricar, sim, o notebook educacional XO – a promessa de Negroponte é encarada como “uma molhada de bico do passarinho”.

David Cavalo, a OLPC no Brasil, confirma o atraso, mas cita “atrasos pelo redesign do servidor” – o Laboratório de Sistemas Integrados, da USP, inclusive, está ajudando na nova configuração.

Até março, promete, ele espera que a licitação para escolher qual empresa fabricará o aparelho sai.

O atraso implica em duas conseqüências diretas: os testes pedagógicos em colégios de Porto Alegre e São Paulo com o XO, também atrasados, não contarão com a proposta original de avaliar também o servidor.

A outra é de fundo moral – não é nada ético o fundador de uma organização dita humanitária mentir sobre promessas que envolvem investimentos financeiros num país de terceiro mundo (não seria contornável nem num de primeiro).

Por isto, creio eu, a acidez da afirmação do Governo parece um tanto exagerada. O próprio Cavallo se apressa em esclarecer (e confundir um pouco mais) sobre a relação próxima, mas com o mesmo nível de cordialidade de uma transação comercial, do Governo com a OLPC.

If it becomes prohibitively expensive to build in Brasil, then it causes other problems. But if that were true then it gives reason to pressure the government that its policies are counter-productive. Since I believe the government truly wants to re-develop a serious microelectronics industry in Brasil, then its policies must enable countries to create competitive products here. let’s see. I am optimistic.

Março tá aí. Enquanto isto, a newsletter da OLPC informa que “XO goes to Carnaval“, com Carlinhos Brown e Chico César se juntando ao projeto para levar os XOs a Salvador e João Pessoa, respectivamente, suas terras-natais.

Só há um problema: as duas cidades que testarão o XO no Brasil, já decidiu o MEC, serão São Paulo e Porto Alegre. Um colégio de João Pessoa testará notebooks convencionais na sala de aula, enquanto Salvador nem no cronograma do MEC figura.

Diz o anúncio que “these artists/community activists immediately saw the benefits for for learning and inclusion”. Blefe da MPB?

Update: Com uma atenção além do corporativismo, David Cavallo esclarece que a ação de Brown e César se dará caso o Governo escolha a plataforma da OLPC para os colégios brasileiros.

E quando diz que “advoga para o envolvimento de muitos grupos para melhorar em escala a qualidade das escolas”, Cavallo tem um ponto: será difícil que Salvador e João Pessoa não recebam os portáteis, caso o Governo decida pela OLPC.

Written by Guilherme Felitti

February 28th, 2007 at 4:55 am

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Interney Blogs: nasce o conteúdo aliado ao modelo econômico

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Depois do Gardenal e do Insanus, a blogosfera brasileira ganha outro portal de blogs: o Interney Blogs que, ao contrário dos dois primeiros, conta com uma diferença fundamental.

Escorado pelo pioneirismo de Edney Souza (o tal Interney que dá nome ao portal), o primeiro (e talvez principal) problogger brasileiro, o portal já nasce com um modelo comercial empacotado para os 21 diários (algum problema aqui, Fugita?) que congrega.

Pare um pouco pra navegar pelo Interney – a abordagem financeira explícita implica em sérias restrições de conteúdo e usabilidade, com banners e links comerciais polvilhando todo o blog.

Os blogs do Interney Blogs não são assim tão explícitos, mas usam um sistema comercial bolado pelo próprio Souza para transformar palavras-chave dentro dos posts em anúncios pontuais (e, conseqüentemente, grana) – a informação é do próprio Interney.

É inegável imaginar que, com o meio-de-campo do Interney entre anunciantes e blogs que você já ouviu falar, como o Virunduns, o Jornalista de Merda e o Uma Dama Não Comenta, o portal dê uma bela grana.

Puxando a fila dos blogs está o Inagaki (ex-Gardenal), do popular (e copiado à exaustão) Pensar Enlouquece. Amanhã tem entrevista aqui com o Interney e com o Inagaki.

Update: A do InteNey já está no ar. Quando o Inagaki responder, ela também vai. E foi merrrmo, pode conferir.

Written by Guilherme Felitti

February 23rd, 2007 at 5:34 am

protegendo a proteção (ou a Microsoft não aprende)

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Em junho de 2006, o favorito aqui do Chá David Pogue escreveu um artigo para o NYTimes sobre o lançamento do OneCare Live, antivírus da Microsoft.

Ácido e divertido, Pogue pergunta à queima-roupa: “Por que o usuário deveria comprar um software da Microsoft para proteger outro software da Microsoft?”. E segue:

“Microsoft, the company whose inattention to security made antivirus software a necessity in the first place. “

Vale lembrar que os produtos da Microsoft são alvo tão freqüente de falhas de segurança, que a empresa se viu forçada a marcar um dia do mês apenas para divulgar correções – conhecido como Patch Tuesday.

Foram pouco mais de seis meses pra Microsoft provar a razão de Pogue. Nas primeiras atualizações após o lançamento do Vista, são seis os patches críticos, daqueles que, se explorados, trazem crackers pra dentro do teu PC.

Um deles é para o OneCare Live, exatamente o software que deveria proteger seu computador contra as falhas de software da Microsoft.

E pensar que Symantec, McAfee, Panda, Kaspersky, F-Secure e tantas outras chiaram quando a MS deu seus primeiros passos no setor…

Written by Guilherme Felitti

February 13th, 2007 at 11:02 pm

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HD-DVD X Blu-Ray: uma celulite no caminho

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A alta-definição, quem diria, não é um negócio tão bom assim para a indústria do pornô, que já pende para o HD-DVD, da Toshiba.

A qualidade oferecida pelos formatos HD-DVD e Blu-Ray vem preocupando estúdios adultos principalmente pela riqueza de detalhes que reproduzem em telas de alta definição.

Pense comigo: se consegue reproduzir milhões de cores com fluente sucessão de quadros por segundo, um disco em HD-DVD ou Blu-Ray pega fácil aquele celulite ou ruga a mais no bem mais precioso do ator (ou, principalmente, atriz) pornô – seu corpo.

Diz a sensacional notícia do New York Times que o setor adulto pode estar atrasando a adoção de mídias em alta definição por causa do seu poderio.

“They have discovered that the technology is sometimes not so sexy. The high-definition format is accentuating imperfections in the actors — from a little extra cellulite on a leg to wrinkles around the eyes.”

A bem apessadoa atriz, diretora e produtora Stormy Daniels afirma que “não tem 100% de certeza que as pessoas querem ver seus pornôs em alta definição”. Será?

Diz o NYT que as mudanças na estética de filmes pornôs arrasa-quarteirão (que deverão ser lançados em HD-DVD ou Blu-Ray daqui pra frente) já mudaram, com filmagens em novos ângulos e uma queda drástica no uso de closes.

Written by Guilherme Felitti

January 29th, 2007 at 4:40 am

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