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orkut – alexandre magalhães, analista do ibope//netratings

Alexandre Magalhães está por trás do Coleta RS, métrica do Ibope//NetRatings que tenta medir o impacto da construção da imagem de uma marca dentro redes sociais – notoriamente, o Orkut. É o cara a se consultar quando se precisa de números que desconstruam o internautas brasileiros.
O gráfico acima, gentilmente passado, reproduz a explosão do Orkut no Brasil entre abril de 2004, quando começou a aparecer nos gráficos do Ibope, a dezembro de 2005, quando já atingia quase 60% dos internautas domésticos no Brasil.
Qual a importância do Orkut na internet brasileira?
O Orkut só não tem mais importância que ferramentas de busca, o Google majoritariamente. Diversos segmentos da internet nacional são dependentes disto. Para outras redes, ele é um transferidor de tráfego enorme, até para outros concorrentes.
Neste momento não rola (roubo de tráfego), já que todo mundo cresce. o MySpace tem um nicho mesmo, voltado totalmente para música. Hoje, dependendo de onde você está, é obrigado estar em buscador ou rede social e o Google é realmente uma porta de entrada para o brasileiro na internet.
Há alguma razão pelo sucesso relacionada a características regionais? A internet no Brasil está em momento de posicionamento e segmentação. Talvez as gigantes não estejam atendendo regionalmente e role uma oportunidade aí. O uso das redes sociais no Brasil é um fenômeno que atinge todas as idades de maneira intensa – aí entra comunidades, blogs, MSN, fotologs, etc. O uso é intenso para qualquer faixa etária, em qualquer segmentação do povo brasileiro.
A questão dos convites também foi muito forte, atingindo um público jovem que queria fazer parte do grupo (adolescente se integrando ou se excluindo). Aí começou a explodir. Depois, houve expansão para outras faixas etárias, o que faz com que o Orkut seja uma representação fiel da internet brasileira.
O MySpace é perigo?
Sim, mas a médio e longo prazo. Como está crescendo muito, eles são mais impulsionadores um do outro que concorrentes. Não vejo pessoas procurando alternativa ao Orkut (hoje no Brasil). Em seis meses, o MySpace Brasil parte de 50 mil usuários para cerca de 2 milhões (nota do blogueiro: o pulo seria ainda maior se a parceria com a Band tivesse saído – sabe-se lá por que não saiu).
Houve, sim, brecha quando o Orkut forçou a criação de conta do Gmail, mas depois disto aquilo foi colocado em segundo plano. Ali havia uma preocupação, hoje não. A relação é um pouco diferente, já que as pessoas estão ampliando suas atividades. Os portais têm mais perigo (de perderem tráfego).
Sonico e HI5 (altamente populares no resto da América Latina) estão crescendo muito no Brasil. Por ser na AL, elas podem estar cavando um espaço que alguém pode explorar para diferentes regiões.
o twitter deleta followers
Porra, não bastasse o Orkut sair do ar por 9 horas na segunda, o Twitter sofreu algum tipo de problema que deletou centenas (quando não milhares) de followers de seus usuários – o Now! caiu de 1.145 para 589 (!). Meu perfil (abandonado) nada sofreu.
Já dá pra sentir pelo Summize que a reclamação é geral. E logo agora que os problemas de instabilidade, tipo a clássica baleia, tinham diminuido bastante, a ponto de aguentar o tranco de um WWDC.
Segunda Orkut, quarta Twitter. Seguindo o pensamento, sexta-feira deve rolar merda com outra ferramenta social usada por brasileiros.
Vale lembrar que, o Amazon S3 sofreu problemas de instabilidade no domingo que ocasionaram problemas em avatares no Twitter.
Update: táquepariu! Na madrugada de quinta pra sexta, usuários reclamaram que o MSN ficou fora do ar por meia hora. Tô com bom pressentimento para este prêmio da MegaSena…

o diz que me diz do orkut fora do ar
Ninguém escreveu um livro sobre isto (uma pena, tem material para caralho), mas existem algumas características dos brasileiros na internet.
A primeira deriva de uma maneira própria do internauta brasileiro navegar – o Google concentra quase 90% das buscas no Brasil principalmente pela mania nacional de recorrer aos primeiros resultados da lista de determinados termos buscados.
Os brasileiros fazem de posts centros de discussão (ou simplesmente de bater cartão) em determinados assuntos – alguns exemplos, dos mais variados assuntos, estão sendo coletados por este blogueiro para uma artigo acadêmico algum dia. Visite alguns e entenda a questão.
Os salsinhas dominam a internet brasileira e, em muitas ocasiões, não entendem qual a proposta original do post ou as ligações de quem escreveu sobre o assunto abordado – o post da Rebeca sobre as roupas das novelas é extremamente indicativo neste sentido.
Os salsinhas têm relação com a mesma cultura web brasileira, bastante imatura ainda, que coloca o Orkut como fenômeno online nacional em detrimento das funções do Facebook (o assunto tá bem explorado na matéria sobre as razões do motivo do Orkut no Brasil lá no Now!).
E é sobre a penetração do Orkut que este post se trata (porra, de novo, Guilherme?), com relações diretas com uma segunda característica do internauta brasileiro – transformar um determinado local digital em ponto de concentração quando algo maior os impele a tal.
Foi assim com a página de recados do Alemão do BBB e da Katilce do Bono (ambos sem links porque não tem Orkut, ué) e tá rolando agora com o Summize na história do Orkut ter saído do ar para manutenção, segundo o Google, após usuários reclamarem de trocas de contas.
Com um ponto definido, fica muito fácil que um boato ou uma informação nascida da cabeça de algum animal ganhe relevância num grupo histérico por mais informações – o medo causado pelos supostos ataques do PCC à capital paulistana tem aí outra ponta de relação com esta possibilidade da mentira virar verdade numa situação de tensão em que todos buscam alguma informação.
É difícil apontar pelo Summize de onde veio a informação que o Orkut voltará só em setembro. Ou que o Google confirmou que ficará fora do ar até sábado (dizem que é do site Tudo Rondônia, que não tem NADA sobre o assunto – buscaí pra comprovar). Ou que os perfis de fakes estão sendo apagados deliberadamente pelo Google Brasil. Ou que a monga é o macaco de verdade.
Na necessidade de informações, um blog que banque bobagens, como fazem o BlogInternacional e o BlogEmo, vira um ponto de encontro na ocasião, como realmente viraram, com seus quase 2 mil comentários somados em apenas 3 (!!) horas.
A histeria de momentos como este forma um ambiente apinhado de internautas incautos desesperados atrás de alguma (qualquer!) informação onde notícias falsas e totalmente fantasiosas são consideradas e levadas a sério.
Depois a gente ainda tem esperança que o jornalismo colaborativo atinja a massa brasileira além da “sorte” de alguém com um celular com câmera presenciar algo que valha no noticiário. Acho que, por enquanto, não.


Update: a Raquel Recuero, que já tinha um pé no Orkut na primeira explosão da rede social, ilustrou seu post sobre o bleacaute da rede com dois gráficos que mostram a incidência do termo “Orkut” dentro do Twitter.
orkut – raquel recuero, pesquisadora da universidade de pelotas
Raquel Recuero, doutora em comunicação pela Universidade Católica de Pelotas, chefiou um grupo de estudo contratado pelo próprio Google Inc. (divido com uma equipe indiana na Índia) pra estudar as razões do sucesso do Orkut em ambos os países.
Como rolou a pesquisa encomendada pelo Google para entender o Orkut no Brasil?
Aconteceu em 2005 e em 2006. Fui chefe de uma turma que tinha o Alex Primo, Ricardo Araújo e a equipe do Google Inc. (Manu Rehk e outro pessoal). Contrataram a gente pra trabalhar com pesquisa qualitativa e outro pessoal lidou com banco de dados do Google.
A idéia era tentar identificar como Orkut crescia e como tinha acontecido. Durou mais ou menos 6 meses entre preparação e realização de resultados. Participou também a Lada Admit, da Universidade de Michigan (nota do blogueiro: Danah Boyd, citada na matéria do Orkut, ia entrar no grupo, mas trocou o Google pelo Yahoo logo antes do processo).
E quais foram as descobertas?
Na verdade, não existia um único fator. Descobrimos um conjunto de fatores que o Orkut tinha no Brasil que atuavam juntos. Alguns deles eram o fato de a comunidade ter adotado logo no início, o que culminou em competição entre as cidades (antes, SP contra Rio contra Porto Alegre; depois, todas juntas para bater Estados Unidos).
De março em diante tinha crescimento muito alto por questão da competição. Enquanto americanos convidavam 5 pessoas, brasileiros convidava 30 pessoas (o número é metafórico -na real, diz ela, os brasileiros convidavam muito mais), que, na média, aceitavam muito mais os convites. Acreditávamos também que (o Orkut começou a fazer sucesso no Brasil) por que não havia concorrência no Brasil, enquanto o Facebook começava a explodir no EUA.
A invasão brasileira em 2004 tinha (como motor) a questão da língua. Em junho de 2004, quando passou, estava pesquisando (redes sociais) para usar como tema de trabalho quando chegou alguém na sala de aula gritando “o Brasil passou os EUA”.
Era (uma identificação) muito forte. Aí é uma questão cultural do brasileiro ser muito participativo. O Brasil sempre entra muito (em competições ¨cívicas¨ do tipo), é uma característica bastante marcante. Depois da festa (organizada em São Paulo pelo Alexandre Matias e comparsas), a mídia começou a noticiar bastante o serviço.
A interface simples do Orkut ajudou na divulgação?
Existem alguns fatores complementares. O Orkut tinha um problema muito sério: era em inglês, o que impediu bastante crescimento no começo. Pra driblar, usuários faziam perfis para outros – meu amigo não fala inglês, mas eu fiz um perfil pra ele.
O interesse cresceu no sistema com comunidades do tipo “Como Não Como”. Estes pequenos fatores geraram um centro de interesse no sistema. Mesmo em inglês, a interface era simples e bonitinha, permitindo ver os amigos das pessoas. Claramente, cerca de 400 usuários (entrevistados) falavam que era bonitinho e que dava pra ver quem eram os amigos.
O Facebook sempre teve uma desvantagem em relação ao Orkut, que é interface, muito difícil, complicada e que o usuário não entende de cara o que tá acontecendo no seu perfil. O Facebook não pegaria (no Brasil) por que não permite que você veja os amigos, ele limita a visualização de rede (nota do blogueiro: Recuero escreveu um post necessário à questão). Você não consegue xeretar no perfil da pessoa.
Já o MySpace tem problemas de interface, é necessário equilíbrio entre as coisas para você ver e interagir. As primeiras impressões do MySpace remetiam a coisas de criança, mas daí começa aquela coisa de música, e usuários começam a ver como espaço interessante. O MySpace está mais para blog que para rede social.
Apesar do Brasil ser bastante social, (o Orkut) pegou bastante na Índia. Existem, porém, características culturais diferentes do Brasil e uma outra perspectiva diferente do sistema. O jeito que se usa é muito parecido entre brasileiros e indianos, com algumas pequenas diferenças – mais pra se conhecer pessoas, menos para mostrar quem são os amigos. No Brasil também registramos o uso de comunidades como crachás, que mostram a que grupos você faz parte, sem muita participação.
O Orkut sofre algum risco no Brasil?
É uma pergunta difícil. O Orkut está consolidado. Todo mundo está lá por que seus amigos estão lá. Agora, acho que Orkut de 2007 pra cá deu uma parada na questão dos caras acessando pra ver o tempo todo. Neste sentido, o OpenSocial é uma tentativa de criar interesse.
Acho que o que pode acontecer com a redução de uso é o sistema se tornar cada vez mais chato e fazer com que usuários criem perfis em outros sistemas. Se outras redes foram mais recompensadoras, pararão de usar o Orkut. Este risco existe, mas é coisa difícil e depende da migração dos amigos. O grande risco do Orkut é perder os influenciadores, que mantêm a rede coesa. Se eles saírem, todos os outros podem sair junto. Isto é um risco, num momento que o Twitter está – o cara descobre que o rival é mais legal e pára de usar o antigo.
orkut – abel reis, presidente da agência click
Nao custa dizer de novo: Abel Reis, atualmente na presidência da Agência Click, é uma das melhores (senão a melhor) fonte sobre internet no Brasil por que simplesmente dá ênfase mais ao assunto ¨Brasil¨ que ao assunto ¨internet¨.
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Quais as razões do sucesso do Orkut no Brasil?
Uma das razões é do sucesso do Orkut no Brasil é, primeiro, uma bem ampla que diz respeito ao sucesso que qualquer espaço de convivência digital tem no Brasil, desde o chat.
Hoje não se fala tanto, mas chats, messengers e agora as redes sociais (até mesmo as 3D) têm características de aproximação e de propiciar uma troca de experiência, informações e memória que parecem bem compatíveis com espírito gregário que o brasileiro de uma maneira geral parece ter.
Além disto, no ambiente digital esta experiência gregária é mais ou menos protegida (covardia??) pelo avatar ou na segurança de casa ou escritório.
A segunda coisa tem a ver com a interface de uso do Orkut. Acho que a interface do Orkut tem simplicidade “quase tosca”, não tem um apuro e uma sutileza, como há na interface do Facebook, mais voltado pra quem tem cultura digital mais madura. Acho que esta interface simples do Orkut é muito propícia a novos usuários, exigindo pouco domínio prévio de interface web, como exigem Facebook ou (disparado) Second Life. É mais simples que usar o MySpace também.
Quais são os próximos passos que o Google deve tomar com o Orkut?
O Orkut no Brasil não é uma ferramenta de ¨early adopter¨, massificou. Há uma preocupação do Google tanto no sentido de incorporar funções nascidas em ferramentas mais avançadas. Tenho minhas dúvidas se a cultura dos usuários do Orkut é sensível a estas inovações (apresentadas, principalmente, pelo Facebook).
Com certeza, algo que acho que tem potencial explosivo no Orkut é mídia. O Google tem que definir formato adequado para isto. Não será display media (banner) e, se for um formato adequado e não invasivo, pode realmente fazer um grande sucesso.
Acho que, obviamente, eles não planejaram este sucesso. Temo que formatos publicitários que estejam sendo pensados sejam relativamente conservadores, do tipo banner ou gadgets patrocinados – são conservadores por não valorizar o potencial de conectividade que o Orkut traz.
Para mim, é simpática a idéia de desenvolver um programa de incentivo à propagação dentro do Orkut em que você premie os agentes propagadores pela performance da atividade. Ao invés de pensar no Orkut como veículo, pensar na própria audiência do Orkut como veículo.
Vejo os líderes em redes sociais como próxima forma de publicidade (na mídia social). Procurando a reputação dos líderes dentro dos grupos e alavancar exposição da sua mensagem publicitária através deles, isto tem um poder enorme. Acredito muito nisto, de ter modelo de influência nas redes para que elas possam retornar aquilo que você espera – audiência, decisão de compra, etc.. Inevitavelmente, isto misturaria conteúdo e publicidade.
Com esta idéia em franco renascimento, o estilo ¨Milton Neves¨ é o futuro?
A mídia é uma frente muito promissora em várias formas. Esta cadeia de relações entre produtos de conteúdo, agência e anunciantes tá se reinventando. É inevitável que, dentro de redesociais, conteúdo seja inevitável para alavancar marca, mas não no modelo broadcast. É um tipo de mídia sensível a conteúdo e articulada dentro da própria rede por meio dos líderes é promissor.
O Orkut já está inatingível para o MySpace Brasil? Como fica o Facebook na briga?
Em termos de massa de audiência, sim. Acontece que a estratégia do MySpace, acertada por ser segmentada, pode não migrar, mas duplicar audiência. Você terá página do Orkut para amigos da escola, mas terá um perfil no MySpace para encontrar outras tribos, pra encontrar as bandas que você gosta. A fragmentação é inevitável. Acho improvável que o MySpace desbanque o Orkut.
Acho que é uma fraqueza do Facebook (no Brasil) ter interface inodora e incolor, já que os brasileiros gostam de coisas de gosto duvidoso e um pouco eletrizante (nota do blogueiro: leia-se gifs e animações que causam epilepsia), coisa que você encontra em blogs e comunidades no Brasil. MySpace e Orkut podem entregar isto, mas Facebook não. Os componentes utilitários no Facebook compõem um estágio um pouco mais avançado da cultura web, do sentido mais experimentado.
A cultura do Orkut é compartilhamento, reencontro, entretenimento. Já o Facebook claramente tem este posicionamento de ¨early adopter¨ e elite no Brasil. (Para massificação no Brasil) acho-o fraco, já que o Facebook tem muita dispersão – o Orkut vai direto ao ponto.
O fator ¨timing¨ do Orkut no Brasil foi importante?
Não acho que ser o primeiro entrante seja bom. Historicamente na internet, isto não é garantia – pense no ICQ. É claro que ser o primeiro é bom, mas garante muito pouco na vida real da web. A demora de você encontrar um competidor no Brasil que tivesse alguma projeção neste sentido é mais importante. É evidente que isto o colocou primeiro na vitrine, mas isto não explica por que as pessoas pegaram da vitrine. Não acho decisivo.
Os players internacionais nunca deram muita bola para mercado nacional. Já os grandes players nacionais tão aí e foram UOL, Terra e iG que perceberam e tiraram todo o valor que o mercado tem pra dar.
O brasileiro tem avidez pelo compartilhamento e pela inte
ração, mas também tem algo confessional: ele tem um estilo um pouco de dizer o que pensa, confessar-se, que é muito favorável, aderente às características das redes sociais. Não é a toa que os reality shows fazem sucesso no Brasil. Pessoas realmente gostam de falar de si e bisbilhotar a vida alheia – e o Orkut é prato cheio para isto. O brasileiro médio tem esta atitude um pouco confessional, o que pegou os players internacionais de surpresa.
orkut – rogério de paula, antropólogo da intel
De volta à proposta original deste Chá, segue a primeira de uma tonelada de entrevistas feitas pra matéroa sobre as razões do sucesso do Orkut no Brasil (¨pra quê fazer se é tão óbvio?¨. ué, é mesmo?) que rolou no Now! nesta semana.
A primeira entrevista fica com Rogério de Paula, antropólogo da Intel Brasil. Note que as perguntas foram adaptadas e o texto, digitado a partir de uma conversa telefônica, foi editado para ter um mínimo de sentido e organização.
Em negrito e itálico, anotações deste repórter feitas durante a edição para posterior conferência caso fosse necessária à matéria.
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Quando ouviu pela primeira vez do Orkut?
Parte da minha pesquisa (levada para a Intel Brasil) começou no doutorado com tecnologias para redes sociais, desenvolvida antes mesmo do Orkut nascer. O Orkut apareceu numa comunidade bem pequena que tava ao redor da Bay Area, onde está o próprio Google.
Como eu estava naquela comunidade, recebi um convite. A idéia era uma rede fechada atrair um certo grupo de pessoas e você espera que alguém que você conheça te convide. Comecei a ver este crescimento pra América Latina e Brasil (como?).
Ao mesmo tempo, quando começou a criar massa crítica no Brasil, motivava uma certa competição com os EUA. Acho que foi 23 de junho de 2004 (o dia em que o número de brasileiros passou o de norte-americanos). Foi a primeira vez na web brasileira que havia um site norte-americano com mais brasileiros. Era uma noção não de patriotismo, mas de nacionalidade. como a Danah Boy (pesquisadora de redes sociais em Berkeley) escreveu.
A estrutura do Orkut tem a ver com algum traço da cultura brasileira?
(O Orkut) se integrou muito bem com as práticas culturais dos brasileiros, de querer se relacionar com as pessoas e querer interagir. Ele se tornou muitas ferramentas. Quando estava nos EUA, ele era basicamente uma ferramenta para conectar pessoas conhecidas e em nível profissional. No Brasil, ele virou quase um calendário pessoal, pra saber os aniversários dos amigos.
O Orkut fez sucesso por ser o primeiro a chegar no Brasil, convergindo a cultura brasileira em buscar a integração entre pessoas. Ao invés de replicar o mundo físico, ele foi instrumento de suporte para que pessoas interagissem facilmente.
Com certeza, ele reflete muito a questão do brasileiro no número de amizades. Então virou um jogo quantas pessoas se tem na rede, algo de valor, embora isto seja algo que não se trabalhe facilmente no dia a dia, já que não dá pra representar. (Esta representação) emergiu muito no Orkut e não era tão importante lá fora.
O Orkut corre risco no Brasil?
Como o brasileiro já tinha uma certa dominação no Orkut, mudar a prática era muito mais complicado. O MySpace começou num nicho diferente, dentro de universidades, o que levou a representar interesses dos estudantes norte-americanos.
Acho especial como ele se transformou sem ter muitas mudanças na tecnologia. Existem questões interessantes surgindo, como a interface aberta, como as empresas criarão novos produtos, como haverá a exploração por mobilidade. Quando os gadgets móveis entrarem no mercado, vai ser interessante ver como serão integrados às redes sociais. A questão geográfica vai ser bastante interessante – o lugar onde você estiver vai contar muito pras coisas que você fará.
Como a mídia trabalhou o aparecimento do Orkut?
Pra mim, foi a questão da curiosidade. Você tem um site fechado e todo mundo quer fazer parte. As pessoas ficaram curiosas. Como era o primeiro que chegava no Brasil, elas queriam se tornar exclusivas.
A própria mídia reinforçou o Orkut, a partir do momento em que ele se tornou parte. De um lado, a mídia tornou a (penetração) mais aparente, aumentou a curiosidade da população, que não seria atingida pela rede social. Ao mesmo tempo, ela reinforçou a questão da competição e da identidade do brasileiro.
começa com um lobista (ou a confusão da cpi da pedofilia)
Alguns dados pra ti sobre a detenção de um suposto lobista do Google pelo Senado Federal.
Rildson Moura é funcionário antigo da AkroAdvice. Circula pelos corredores da Câmara e do Senado há ¨mais de 20 anos¨, segundo a própria consultoria. Fica difícil apontar se o acesso indevido a dados da CPI da Pedofilia foi seu primeiro delito, mas pessoas ligadas ao Google acreditam que não.
Explica-se: ao entrar atrás da mesa dos senadores responsáveis por tocar a CPI e mexer em documentos destinados apenas a ele e a técnicos votados para o grupo de trabalho, Moura foi visto por Thiao Tavares, presidente da SaferNet.
Tavares avisou Magno Malta, senador do PR pelo Espírito Santo, que prega em pleno Senado, é contrário à criminalização da homofobia (criaria ¨um império homossexual no Brasil¨) e foi indiciado pela Policia Federal por participação no esquema dos Sanguessugas.
No começo da sessão da CPI, Malta pediu que Moura fosse encaminhado à Seseg, a Polícia do Senado Federal, para dar os devidos esclarecimentos. Tavares foi junto. O registro oficial do depoimento de ambos está disponível neste Chá e ajudará a elucidar algumas dúvidas mais a frente.
Na gravação da sessão, Malta diz que fará notificação contra Moura e até admite conhecê-lo, classificando-o como ¨um pequenininho, magrinho¨ que, no dia anterior à detenção, foi falar-lhe que ¨nossos advogados (do Google) chegaram aí¨.
Em seguida, Demóstenes Torres, senador do Democratas por Goiás, admite ter recebido na mesma semana em seu gabinete advogados do Google.
A Wikipedia em inglês define como lobby ¨tentativas de influenciar legisladores e políticos, sejam por outros legisladores, grupos privados ou eleitores¨. Teoricamente (e como alegou a Arko depois da detenção) fazer lobby não é crime desde que, assim como toda outra atividade em sociedade, não envolva a quebra de nenhuma lei.
Ter acesso a dados (como nomes de crianças vítimas de abuso sexual) voltados apenas aos que compõem a CPI da Pedofilia é, sim, uma quebra legislativa.
Em contato com este repórter, a AkroAdvice argumentou que Moura não fez nada de errado por ter visto apenas informações públicas no documento, alegando que qualquer jornalista ¨faria o mesmo em uma pilha de documentos jogada sobre uma mesa¨.
A transcrição do depoimento de Moura (disponível na nova sessão ¨documentos de tecnologia que você precisa ler¨), onde assume ter visto o nome das crianças convocadas, contradiz a AkroAdvice

O encontro admitido pelos senadores durante o começo da sessão da CPI da Pedofilia foi uma reunião em que o próprio Moura acompanhava os representantes legais do Google Brasil (soube da história do Márcio Thomaz Bastos?) com os políticos.
Dias depois, o Google confirmou que o contrato com a AkroAdvice tinha sido rompido. Em tecnologia, resta agora à consultoria prestar serviços à Microsoft (sabia?). Ironicamente, dias depois do lobista ser detido, o Google Brasil veio a público afirmar que cumpriria não apenas as ferramentas prometidas por Hohagen em seu primeiro depoimento na CPI.
O escândalo teve alguma influência na assinatura do TAC, anunciado menos de uma semana após o caso Rildson Moura, entre Google Brasil, Ministério Público Federal de São Paulo (afinal o Google já tinha acordo com todos os outros MPFs do Brasil) e a SaferNet? Google diz que não e MPF afirma que, na sexta, enviou ultimato ao buscador.
No meio de uma apuração gigantesca que um dia vai ganhar estas páginas (é, o que a falta de tempo não faz), fica claro que a história está cercada de interesses. O Google Brasil limpa as mãos falando que sempre colaborou com a Justiça (mentira!), enquanto tanto MPF como SaferNet criticando acidamente um total descaso do Google quanto à operação brasileira do buscador.
Ponderações, por favor: o Google justifica a demora argumentando que temia pela equipe que avaliará manualmente conteúdo supostamente pedófilo acusado pela MPF, já que a legislação brasileira prevê que o envio ou recebimento (mas não o armazenamento) de pornografia infantil é crime (e, afinal, o que eles mais fariam, não?).
O Google Brasil afirma que o problema foi resolvido na semana anterior da assinatura do TAC, com a “imunização” da equipe responsável pela avaliação manual de conteúdo – não há risco que a funcionárias, que têm um evidente acompanhamento psicológico, sejam presas pelo trabalho.
Por outro lado, diz o Google Brasil que já tinha começado a negociar acordos para fornecimento de dados sigilosos de usuários criminosos com MPFs de Minas Gerais e Ceará e com Ministérios Públicos Estaduais de Pernambuco, Acre e Rio de Janeiro.
A negociação fragmentada é outra herança da antiga equipe de defesa do buscador, encabeçada pelo escritório Durval Noronha Advogados, cujo fundador e motivo do nome é amplamente conhecido por gritar com jornalistas em coletivas de imprensa.
Em determindo momento de uma entrevista para um grupo de jornalistas por telefone, a cumadre de baia Daniela Moreira simplesmente largou o gancho do telefone, colocou no viva-voz e todo o IDG Now! pode ouvir os berros de Noronha sobre uma suposta falta de relação entre Google Inc. e Google Brasil.
Talvez você goste de saber que o mesmo Noronha que defendeu o Google no Brasil defendia o traficante norte-americano William Reed Elswick, refugiado no Brasil e ajudado por Edmar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos preso (e solto) em 2006 acusado de lavagem de dinheiro, crime contra sistema financeiro e formação de quadrilha, como comprova clipping do Ministério do Desenvolvimento para nota de Clay Scholz no Estado de São Paulo.
Cite o nome de Durval para executivos do Google Brasil e a reação tende a ser a mesma: um murmúrio, seguido de uma rara confissão em voz baixa que contratá-lo não foi uma boa idéia. Informalmente, pessoas ligadas ao buscador admitem que contratar Durval foi um erro que fez com que qualquer um que tivesse qualquer birra com o Google subisse sobre a petulância do seu comportamente na época.
O escritório de Noronha se foi logo após uma ainda mal explicada integração de publicidade no Orkut, que fez com que a SaferNet acionasse o Conar, o Google cancelasse os testes e um novo departamento jurídico fosse criado dentro do buscador (não engula a justificativa oficial que relaciona o departamento com o crescimento do Google Brasil).
A história entre Google Brasil e MPF é pontuada por enganações e ilusões por ambos os lados. Quando a CPI foi instaurada, a compreensão foi um pouco piorada pela entrada dos senadores na jogada – não deixa de embrulhar o estômago ver Magno Malta posando de protetor da moral da família brasileira xingando pedófilos (é anarquia, então? nêgo não vai ser julgado? não bastam leis, têm que extrapolar?) em depoimentos um tanto questionáveis na CPI da Pedofilia.
Depois deste tijolo, não custa aconselhar: tome cuidado com o quê você lê.
o spam do facebook


Com o tempo você, usuário do Facebook, vai desenvolvendo uma cegueira seletiva pro spam 2.0 formado por aqueles convitinhos irritantes que seus amigos (amigos?) mandam pra comparar gosto de filmes, jogar pôquer, dar confidências sexuais, jogar alguma coisa, virar zumbi (opa, isto que já fiz) ou qualquer outra merda.
Quero só ver esta tonelada de convitinhos no Orkut com OpenSocial (que já tem um novo tipo de spam rolando) como vai ficar.
Update: com uma visão mais otimista, Thiago Baraldi complementa este post dizendo que o acúmulo de convitinhos de aplicativos é só outra prova de como o Facebook é melhor para separar o que é mensagem e o que é spam que Orkuts da vida.
concordo. mas que o Facebook poderia dar a opção pra não se receber a avalanche, bem que poderia.
spam 2.0 no orkut

O OpenSocial nem formalizado no Brasil foi e as páginas dos aplicativos mais usados (como o Traveler IQ Challenge) já viraram um antro do spam 2.0.
orkut com opensocial em mãos

O Google pode até defender que mudar países para evitar os constantes “Bad, bad server” e “No donut for you” há alguns meses seja apenas um mito. Mas o Orkut com OpenSocial já é uma realidade pelo mesmo truque nunca confirmado para quem não está no Brasil.
Só no Brasil.
Quer brincar com os aplicativos (ainda não maduros, segundo o Google Brasil) no Orkut? Mude seu país para qualquer outro.






