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esfacelada, olpc tenta admirar o mercado

O que mais me incomoda na recente divulgação de um novo protótipo da One Laptop per Child é a pretensão.
Dois anos e meio após revelar a “Máquina para crianças”, a fundação do favorito destas bandas Nicholas Negroponte apresenta a segunda versão comercial (oitava no total?) do XO em uma hora completamente insólita.
Co-fundadora, Mary Lou Jepsen saiu para fundar sua própria empresa que vende tecnologias criadas para o laptop educacional (e estampar as páginas da Time). Presidente de software e boa praça, Walter Bender saiu por discordar da iminente parceria da OLPC com a Microsoft, já adiantada por contatos de Negroponte com a mídia.
Enquanto a OLPC se esfacela aos olhos do público, as fotos do novo XO deixam todos babando com duas telas sensíveis a toque que fariam a notebooks o que o iPhone fez a celulares. Esteticamente, é inegável: o protótipo é lindo (veja mais fotos aqui).
O lance é que a OLPC não conseguiu nem realizar o XO original direito. Não há plano de varejo convincente. Não há os acordos fechados com os países originalmente imaginados (Brasil, inclusive) – só o Uruguai já comprou XOs da OLPC. Há registros de problemas com o hardware.
E, em nenhuma situação (NENHUMA), o tão alardeado “notebook de US$ 100″ chegou a custar 100 dólares - o preço mais baixo foi de 188 dólares. Como então apresentar um mercado um protótipo ainda mais sofisticado com previsão de preço de 75 dólares?
Teoricamente, nada é mais broxante para entusiastas do projeto (e você pode colocar meu nome nesta lista, por mais que alguns ainda teimem em discordar) do que concluir que, enquanto coloca suas fichas em software na 2ª versão do XO, a OLPC sufoca ao mesmo tempo o principal fruto dos seus esforços no setor, o sistema operacional Sugar.
Os mais puristas podem até fazer careta, mas o acordo fechado entre OLPC e Microsoft é simbiose pura: a primeira não perde um mercado (potencialmente, até agora) gigantesco, enquanto a segunda deverá (DEVERÁ) ganhar uma grana para continuar seus projetos.
O sucesso comercial da OLPC, porém, coloca diretamente em risco o Sugar, moldado apenas para crianças em atividades educacionais. Não é à toa, porém, que Bender anunciou, no mesmo dia do acordo entre Microsoft e OLPC, a fundação de uma nova organização, a Sugar Labs, para promover o Sugar em outros equipamentos além do XO.
Negroponte sempre repetiu (ecoado pela Intel) que o OLPC não é um projeto de laptop, é um projeto educacional.
Dois anos e meio depois, a impressão que se tem é que foi o mercado (e sua enxurrada de ultraportáteis) quem mais se beneficiou da picada em mato fechado aberta pela OLPC do que propriamente
os alunos das escolas públicas em países do terceiro mundo.
laptops educacionais para os adultos
Na semana seguinte à oficialização da venda de XOs para norte-americanos durante um período de 2 semanas em novembro, o principal rival do laptop de 100 dólares (que só custa os 100 dólares no discurso de Negroponte) também caiu nas mãos de usuários finais, mas no Brasil.
De um lado, a XO Giving venderá dois notebooks por 400 dólares – um você receberá em casa até o Natal, outro será doado a países que não têm condição de bancar os portáteis de seus alunos, o que fez o Pogue abaixo se derreter neste teste. Prestes a fazer a licitação que decidirá a plataforma a ser usada, o Brasil não está na lista, confirmou a OLPC.
[youtube=http://youtube.com/watch?v=BBoghPvyhts]
Do outro, a distribuidora CIASupri cita um contato na Flórida pra vender a interessados o ClassMate PC por 390 reais, cifra beeeem longe dos 400 dólares ou mil reais citados como preços sugeridos para o portátil, sem o aval da Intel, que criou e controla a distribuição do portátil.
Ignore o português sofrível – o preço é tão abaixo do divulgado pela Intel Brasil que fica difícil não farejar maracutaia na parada. Isto significa que você vai ter que ir pros Estados Unidos pra comprar honestamente um notebook educacional? Sim, se você correr.
A OLPC já disse que a venda é um teste e não pretende repetir a comercialização tão freqüentemente, já que envolve burocracias e dores de cabeça com entrega que a organização já disse não estar nem um pouco interessada.
classmate no cerrado
Depois do Pilotos do Projeto UCA, outro blog sobre os testes do UCA na área: o colégio Dom Alano Marie, em Palmas (TO), criou um blog para ilustrar e contar as novidades sobre os testes com os ClassMate PCs, que começou há cerca de um mês.
Update: O blog Projeto UCA DF também traz fotos e relatos sobre os testes conduzidos com o Móbilis, da Encore, na escola Planalto, em Brasília.
classmate na prática


Lembra que, após os testes, a Fundação Bradesco integraria o ClassMate PC, da Intel, em todas as séries do Ensino Básico a partir do segundo semestre?
As fotos acima são as primeiras oficiais da Intel (tiradas pelo Rigues em visita à fundação) com os alunos usando a plataforma educacional on the wild.
Você já tinha visto aqui as primeiras fotos de testes com o XO, da OLPC, em colégios da Nigéria e, posteriormente, em Porto Alegre.
Dado novo também é que a introdução da plataforma será em todas as unidades da Fundação Bradesco, não apenas na de Campinas – são cerca de 40 no total.
Além da Fundação, a Intel já teve reuniões com colégios como o Dante Alighieri para negociar a implementação dos notebooks educacionais em colégios particulares.
A primeira licitação para notebooks educacionais sai na primeira quinzena de setembro. Este blog mantém sua aposta no XO como o provável escolhido.
Valencia: o thin client do cachorro louco

Jon MadDog Hall e seu “thin client as a service” para inclusão digital. Mais tarde, mais detalhes.
Update: Agora, merrrmo, Rodrigo. Entre um cochilo e outro pelo cansaço, Maddog mostrou o thin client baseado em serviço que a Linus International pretende distribuir pelo mundo.
Isto aí: distribuir. O aparelho é gratuito – um plano mensal oferece assistência técnica, backup remoto e acesso à internet para usuários.
O thin client é absurdamente pequeno (pouco mais de 10 centímetros de lado) e se apóia na “web as a service” para funcionar. A nota completa tá no Now!.
Diz Maddog que, com banda larga, você pode usar editores de texto e gráficos, softwares corporativos e outros programas normalmente no PC, que tem chip Geode, da AMD, 1 Gb de memória, HD de 40 GB, Ethernet, 4 USBs e acesso Wireless.
Ainda não há preço de plano pro Brasil. Quando tiver, eu aviso.
quando a soma de Intel e OLPC provoca indefinição
A improvável parceria entre Intel e OLPC, que vinham se estranhando desde a visita de Paul Otellini ao Brasil, em março de 2006, se concretizou, à revelia das expectativas de amantes, céticos e jornalistas que cobrem o assunto.
Não foi só a comunidade – este repórter, inclusive – que se surpreendeu.
Em entrevista com Élber Mazzaro, sempre articulado diretor de marketing da Intel Brasil, a conversa não fluia – havia uma evidente dificuldade em desenvolver o assunto sem cair nas frases de efeito, comportamento contrário ao padrão do executivo. Ele parecia confuso.
Até a sinceridade constante de David Cavallo, o manda-chuva da OLPC na América Latina, deu lugar a afirmações um tanto vagas e apenas uma certeza, também pontuada de dúvidas: no futuro, OLPC e Intel farão notebooks conjutos.
Ficou no ar a quantia que a Intel pagou à OLPC para entrar no conselho – todas as empresa sveiculadas à OLPC pagam, seja elas o Google, a AMD ou a Nortel. Fica sem resposta também – e principalmente – como será feita a integração de esforços.
Um notebook só? Ambas negam. Equivalência de configurações, inclusive com WiMax? Não descarte. Incentivos da Intel? Quem fica com medo disto é a AMD.
Nicholas Negroponte sempre afirmou que o setor era regido pelo “quanto mais melhor” e o próprio Governo Federal declara, quando perguntado sobre a licitação, que não será apenas uma carga de notebooks.
Quem pode perder? Pelo perigo de competir com a Intel, a AMD.
E, não, Nagano, eu não tenho nenhuma resposta mágica pra parceria.
um dia com o ClassMate PC
A promessa tava feita, mas demorou. Finalmente, taí embaixo, na íntegra. Dúvidas, pedradas ou elogios, grita.
*

Não adianta: você bate o olho no ClassMate PC e te dá uma síndrome de Gulliver. A impressão não é falsa – o notebook educacional da Intel, revelado pelo todo-poderoso Paul Otellini em visita ao Brasil, não passa de um notebook convencional com dimensões diminuídas.
Uma mea-culpa: graças a Marfan, minhas mãos estão longes de serem pequenas. Mas lidar com um Windows, já formatado para telas mais amplas, num teclado onde sua unha (só sua unha!) resvala em 3 teclas por dígito é algo beeeeem desconfortável.
Mesmo. É inevitável não torcer o bico ao perceber que, numa provável pressa para competir com o notebook de 100 dólares de Nicholas Negroponte, a Intel usou o mesmo raio usado por Wayne Szalinski pra diminuir seus filhos e dos vizinhos em um notebook.
A pressa, entenda, afeta um pouco a usabilidade e isto está longe da militância. Mãe do projeto, a organização OLPC desenvolveu uma distribuição própria de Linux que tem, como principal mérito, seu sistema gráfico – as interfaces são grandes e os botões, fáceis de serem achados.
A ferramenta de restrição à internet, originalmente prevista para que professores bloqueiem conteúdo impróprio para alunos, torna a configuração da rede sem fio quase impossível. Um cabo Ethernet e a internet rola – 1ª constatação: o Chá fica apertado.
Num ímpeto meio suicida, resolvo escrever uma nota para o Now! no ClassMate. As frases saem fácil, mas os dedos não acompanham. As letras no bloco de notas se tornam quase pontos e aquele movimento de franzir os olhos se torna constante.
A constante correção irrita. Corrijo. Não acho os ícones no menu Iniciar. Franzo ainda mais os olhos. Tenho em mente que o ClassMate é infantil, para dedos três vezes menores que os meus. A nota acaba e vai pro ar. A paciência também.
As distribuições de Linux que estarão no ClassMate em testes nos colégios Don Alano, em Palmas (To), e Professora Rosa da Conceição Guedes, em Piraí (RJ), têm fortes semelhanças com o Windows – vide o Mandriva Linux 2007 ou o Metasys.
O ClassMate é mais pesado que o XO, mas é bem verdade que também mais rápido (900 Mhz contra 433 MHz) e tem o dobro de memória (2 GB contra 1 GB). Mas qualé o grande foco desta iniciativa em dar notebooks para as crianças: a potência ou o preço?
O preço inicial do XO é de 175 dólares. No Brasil, a CCE já trabalha com previsão de preço de 900 1.100 reais para cada ClassMate. Coloque mais um punhado de inovações, como rede Mesh e uma tela com brilho sensível a ambientes, e a simpatia do Governo na conta daquele e você tem sua equação.
Update: Este é um apanhado de impressões de um repórter que acompanha o desenrolar da novela de notebooks educacionais no Brasil e que está pouco interessado nos transistores usados na placa-mãe do ClassMate.
Se é este tipo de informação que você procura, vai na onda do geek-mor Mário Nagano, que destrinchou o notebook da Intel enquanto estava na PC World.
e os testes com notebooks educacionais mesmo?
As fotos acima são de testes conduzidos pela OLPC em um colégio nigeriano com 40 crianças.
A Intel já havia mostrado teste nos mesmos moldes com crianças nigerianas usando o ClassMate PC – o marketing da gigante fez até um vídeo, apresentado por Paul Otellini aqui em streaming (pule para o 64º minuto de apresentação).
No Brasil, já houve testes na Fundação Bradesco, mas a Intel não divulga imagens.

Ainda por aqui, no mesmo mês em que o Governo havia prometido definir a plataforma escolhida, os testes nem chegaram a começar, excluindo na escola Estadual Luciana de Abreu (acima), em Porto Alegre, com coordenação da pedagoga multireconhecida Léa Fagundes.
Em São Paulo, o colégio Fundamental Ernani Silva Bruno recebeu seus 50 XOs nesta semana e deverá começar os testes na próxima. Nem os lotes da Intel nem da Encore chegaram ao Brasil.
Lá vem o Brasil descendo a ladeira.
Update: Além das fotos disponíveis no blog, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cujo setor pedagógico é coordenado por Fagundes, publicou dois vídeos (abaixo) no YouTube sobre os primeiros dias das crianças gaúchas com 100 XOs.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=fRpCmV5zHYo]
Mesmo que simples, os vídeos demonstram o ambiente pedagógico com notebooks, ainda longe de ser amplamente implementado, de maneira prática e revela uma transparência louvável do Laboratório de Estudos Cognitivos.
[youtube=http://youtube.com/watch?v=FMcw0PtYTaA]
Cowboy no páreo?
A Assessoria Especial da Presidência e a própria Unesp negam, mas o MEC testou o notebook educacional Cowboy, nomeado de “Brasileirinho”, entre as opções que poderão chegar às escolas neste (neste?) ano.
A confirmação está na tabela técnica de comparação publicada pelo Piloto do Projeto UCA.
Não custa lembrar que, entre os quatro apresentados na tabela, o Cowboy é o único que não usa Linux – Eduardo Morgado já reafirmou que seu notebook funciona com Windows CE.
MIT coloca todo seu material pedagógico no OpenCourse
O Massachustes Institute of Technology já tinha colocado na internet material pedagógico baseado em seus cursos que serviriam como um e-learning sem qualquer acompanhamento profissional.
A coisa vai ainda mais longe. O instituto, que apresentou Nicholas Negroponte ao mundo na década de 60, colocará materiais de todos os seus 1,8 mil cursos no OpenCourseWare até o final do ano.
O site deverá acumular transcrições de palestras, apostilas, leituras obrigatórioas e até mesmo podcasts e webcasts com aulas de um dos institutos de tecnologia mais prestigiados do mundo.
Ao Information World Review, Anne Margulies, diretora-executiva do OpenCourseWare, afirmou que não havia como ganhar dinheiro com o conteúdo, por isto resolveu compartilhá-lo livremente.
Parada obrigatória para estudos que envolvam tecnologia.









