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orkut – raquel recuero, pesquisadora da universidade de pelotas
Raquel Recuero, doutora em comunicação pela Universidade Católica de Pelotas, chefiou um grupo de estudo contratado pelo próprio Google Inc. (divido com uma equipe indiana na Índia) pra estudar as razões do sucesso do Orkut em ambos os países.
Como rolou a pesquisa encomendada pelo Google para entender o Orkut no Brasil?
Aconteceu em 2005 e em 2006. Fui chefe de uma turma que tinha o Alex Primo, Ricardo Araújo e a equipe do Google Inc. (Manu Rehk e outro pessoal). Contrataram a gente pra trabalhar com pesquisa qualitativa e outro pessoal lidou com banco de dados do Google.
A idéia era tentar identificar como Orkut crescia e como tinha acontecido. Durou mais ou menos 6 meses entre preparação e realização de resultados. Participou também a Lada Admit, da Universidade de Michigan (nota do blogueiro: Danah Boyd, citada na matéria do Orkut, ia entrar no grupo, mas trocou o Google pelo Yahoo logo antes do processo).
E quais foram as descobertas?
Na verdade, não existia um único fator. Descobrimos um conjunto de fatores que o Orkut tinha no Brasil que atuavam juntos. Alguns deles eram o fato de a comunidade ter adotado logo no início, o que culminou em competição entre as cidades (antes, SP contra Rio contra Porto Alegre; depois, todas juntas para bater Estados Unidos).
De março em diante tinha crescimento muito alto por questão da competição. Enquanto americanos convidavam 5 pessoas, brasileiros convidava 30 pessoas (o número é metafórico -na real, diz ela, os brasileiros convidavam muito mais), que, na média, aceitavam muito mais os convites. Acreditávamos também que (o Orkut começou a fazer sucesso no Brasil) por que não havia concorrência no Brasil, enquanto o Facebook começava a explodir no EUA.
A invasão brasileira em 2004 tinha (como motor) a questão da língua. Em junho de 2004, quando passou, estava pesquisando (redes sociais) para usar como tema de trabalho quando chegou alguém na sala de aula gritando “o Brasil passou os EUA”.
Era (uma identificação) muito forte. Aí é uma questão cultural do brasileiro ser muito participativo. O Brasil sempre entra muito (em competições ¨cívicas¨ do tipo), é uma característica bastante marcante. Depois da festa (organizada em São Paulo pelo Alexandre Matias e comparsas), a mídia começou a noticiar bastante o serviço.
A interface simples do Orkut ajudou na divulgação?
Existem alguns fatores complementares. O Orkut tinha um problema muito sério: era em inglês, o que impediu bastante crescimento no começo. Pra driblar, usuários faziam perfis para outros – meu amigo não fala inglês, mas eu fiz um perfil pra ele.
O interesse cresceu no sistema com comunidades do tipo “Como Não Como”. Estes pequenos fatores geraram um centro de interesse no sistema. Mesmo em inglês, a interface era simples e bonitinha, permitindo ver os amigos das pessoas. Claramente, cerca de 400 usuários (entrevistados) falavam que era bonitinho e que dava pra ver quem eram os amigos.
O Facebook sempre teve uma desvantagem em relação ao Orkut, que é interface, muito difícil, complicada e que o usuário não entende de cara o que tá acontecendo no seu perfil. O Facebook não pegaria (no Brasil) por que não permite que você veja os amigos, ele limita a visualização de rede (nota do blogueiro: Recuero escreveu um post necessário à questão). Você não consegue xeretar no perfil da pessoa.
Já o MySpace tem problemas de interface, é necessário equilíbrio entre as coisas para você ver e interagir. As primeiras impressões do MySpace remetiam a coisas de criança, mas daí começa aquela coisa de música, e usuários começam a ver como espaço interessante. O MySpace está mais para blog que para rede social.
Apesar do Brasil ser bastante social, (o Orkut) pegou bastante na Índia. Existem, porém, características culturais diferentes do Brasil e uma outra perspectiva diferente do sistema. O jeito que se usa é muito parecido entre brasileiros e indianos, com algumas pequenas diferenças – mais pra se conhecer pessoas, menos para mostrar quem são os amigos. No Brasil também registramos o uso de comunidades como crachás, que mostram a que grupos você faz parte, sem muita participação.
O Orkut sofre algum risco no Brasil?
É uma pergunta difícil. O Orkut está consolidado. Todo mundo está lá por que seus amigos estão lá. Agora, acho que Orkut de 2007 pra cá deu uma parada na questão dos caras acessando pra ver o tempo todo. Neste sentido, o OpenSocial é uma tentativa de criar interesse.
Acho que o que pode acontecer com a redução de uso é o sistema se tornar cada vez mais chato e fazer com que usuários criem perfis em outros sistemas. Se outras redes foram mais recompensadoras, pararão de usar o Orkut. Este risco existe, mas é coisa difícil e depende da migração dos amigos. O grande risco do Orkut é perder os influenciadores, que mantêm a rede coesa. Se eles saírem, todos os outros podem sair junto. Isto é um risco, num momento que o Twitter está – o cara descobre que o rival é mais legal e pára de usar o antigo.
amando tudo isto 2.0
Grande empresa cria página no Facebook e permite que usuários publiquem imagens de envolvimento com a marca, esperando adolescentes felizes reuniadas ao redor de saquinhos de batata frita. Esquecem que nem todos são fãs da marca.
Dá nisto aí em cima, a imagem que mais chama atenção entre as 23 imagens publicadas pelos usuários na comunidade no Facebook que, ainda que não seja oficial, reúne mais de 60 mil pessoas ao redor da marca McDonalds.
Lembrou-me de Alessandro Lima, do e-Life, falando no Podcast do Now! (a partir dos 1m35s) que nem toda empresa deve se arriscar livremente na mídia social, como operadoras de telefonia celular e bancos.
o spam do facebook


Com o tempo você, usuário do Facebook, vai desenvolvendo uma cegueira seletiva pro spam 2.0 formado por aqueles convitinhos irritantes que seus amigos (amigos?) mandam pra comparar gosto de filmes, jogar pôquer, dar confidências sexuais, jogar alguma coisa, virar zumbi (opa, isto que já fiz) ou qualquer outra merda.
Quero só ver esta tonelada de convitinhos no Orkut com OpenSocial (que já tem um novo tipo de spam rolando) como vai ficar.
Update: com uma visão mais otimista, Thiago Baraldi complementa este post dizendo que o acúmulo de convitinhos de aplicativos é só outra prova de como o Facebook é melhor para separar o que é mensagem e o que é spam que Orkuts da vida.
concordo. mas que o Facebook poderia dar a opção pra não se receber a avalanche, bem que poderia.







