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orkut – abel reis, presidente da agência click
Nao custa dizer de novo: Abel Reis, atualmente na presidência da Agência Click, é uma das melhores (senão a melhor) fonte sobre internet no Brasil por que simplesmente dá ênfase mais ao assunto ¨Brasil¨ que ao assunto ¨internet¨.
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Quais as razões do sucesso do Orkut no Brasil?
Uma das razões é do sucesso do Orkut no Brasil é, primeiro, uma bem ampla que diz respeito ao sucesso que qualquer espaço de convivência digital tem no Brasil, desde o chat.
Hoje não se fala tanto, mas chats, messengers e agora as redes sociais (até mesmo as 3D) têm características de aproximação e de propiciar uma troca de experiência, informações e memória que parecem bem compatíveis com espírito gregário que o brasileiro de uma maneira geral parece ter.
Além disto, no ambiente digital esta experiência gregária é mais ou menos protegida (covardia??) pelo avatar ou na segurança de casa ou escritório.
A segunda coisa tem a ver com a interface de uso do Orkut. Acho que a interface do Orkut tem simplicidade “quase tosca”, não tem um apuro e uma sutileza, como há na interface do Facebook, mais voltado pra quem tem cultura digital mais madura. Acho que esta interface simples do Orkut é muito propícia a novos usuários, exigindo pouco domínio prévio de interface web, como exigem Facebook ou (disparado) Second Life. É mais simples que usar o MySpace também.
Quais são os próximos passos que o Google deve tomar com o Orkut?
O Orkut no Brasil não é uma ferramenta de ¨early adopter¨, massificou. Há uma preocupação do Google tanto no sentido de incorporar funções nascidas em ferramentas mais avançadas. Tenho minhas dúvidas se a cultura dos usuários do Orkut é sensível a estas inovações (apresentadas, principalmente, pelo Facebook).
Com certeza, algo que acho que tem potencial explosivo no Orkut é mídia. O Google tem que definir formato adequado para isto. Não será display media (banner) e, se for um formato adequado e não invasivo, pode realmente fazer um grande sucesso.
Acho que, obviamente, eles não planejaram este sucesso. Temo que formatos publicitários que estejam sendo pensados sejam relativamente conservadores, do tipo banner ou gadgets patrocinados – são conservadores por não valorizar o potencial de conectividade que o Orkut traz.
Para mim, é simpática a idéia de desenvolver um programa de incentivo à propagação dentro do Orkut em que você premie os agentes propagadores pela performance da atividade. Ao invés de pensar no Orkut como veículo, pensar na própria audiência do Orkut como veículo.
Vejo os líderes em redes sociais como próxima forma de publicidade (na mídia social). Procurando a reputação dos líderes dentro dos grupos e alavancar exposição da sua mensagem publicitária através deles, isto tem um poder enorme. Acredito muito nisto, de ter modelo de influência nas redes para que elas possam retornar aquilo que você espera – audiência, decisão de compra, etc.. Inevitavelmente, isto misturaria conteúdo e publicidade.
Com esta idéia em franco renascimento, o estilo ¨Milton Neves¨ é o futuro?
A mídia é uma frente muito promissora em várias formas. Esta cadeia de relações entre produtos de conteúdo, agência e anunciantes tá se reinventando. É inevitável que, dentro de redesociais, conteúdo seja inevitável para alavancar marca, mas não no modelo broadcast. É um tipo de mídia sensível a conteúdo e articulada dentro da própria rede por meio dos líderes é promissor.
O Orkut já está inatingível para o MySpace Brasil? Como fica o Facebook na briga?
Em termos de massa de audiência, sim. Acontece que a estratégia do MySpace, acertada por ser segmentada, pode não migrar, mas duplicar audiência. Você terá página do Orkut para amigos da escola, mas terá um perfil no MySpace para encontrar outras tribos, pra encontrar as bandas que você gosta. A fragmentação é inevitável. Acho improvável que o MySpace desbanque o Orkut.
Acho que é uma fraqueza do Facebook (no Brasil) ter interface inodora e incolor, já que os brasileiros gostam de coisas de gosto duvidoso e um pouco eletrizante (nota do blogueiro: leia-se gifs e animações que causam epilepsia), coisa que você encontra em blogs e comunidades no Brasil. MySpace e Orkut podem entregar isto, mas Facebook não. Os componentes utilitários no Facebook compõem um estágio um pouco mais avançado da cultura web, do sentido mais experimentado.
A cultura do Orkut é compartilhamento, reencontro, entretenimento. Já o Facebook claramente tem este posicionamento de ¨early adopter¨ e elite no Brasil. (Para massificação no Brasil) acho-o fraco, já que o Facebook tem muita dispersão – o Orkut vai direto ao ponto.
O fator ¨timing¨ do Orkut no Brasil foi importante?
Não acho que ser o primeiro entrante seja bom. Historicamente na internet, isto não é garantia – pense no ICQ. É claro que ser o primeiro é bom, mas garante muito pouco na vida real da web. A demora de você encontrar um competidor no Brasil que tivesse alguma projeção neste sentido é mais importante. É evidente que isto o colocou primeiro na vitrine, mas isto não explica por que as pessoas pegaram da vitrine. Não acho decisivo.
Os players internacionais nunca deram muita bola para mercado nacional. Já os grandes players nacionais tão aí e foram UOL, Terra e iG que perceberam e tiraram todo o valor que o mercado tem pra dar.
O brasileiro tem avidez pelo compartilhamento e pela inte
ração, mas também tem algo confessional: ele tem um estilo um pouco de dizer o que pensa, confessar-se, que é muito favorável, aderente às características das redes sociais. Não é a toa que os reality shows fazem sucesso no Brasil. Pessoas realmente gostam de falar de si e bisbilhotar a vida alheia – e o Orkut é prato cheio para isto. O brasileiro médio tem esta atitude um pouco confessional, o que pegou os players internacionais de surpresa.






