Archive for the ‘web social’ Category
uma pergunta: aonde em são paulo?
Quero fazer uma pergunta pra você.
No seu “The Search”, John Battele “The wisdom of the crowds“, James Surowiecki conta um experimento realizado em 1958 pelo cientista social Thomas Schelling (Prêmio Nobel de economia em 2005) onde estudantes de Connecticut deveriam encontrar um desconhecido em Nova York sem qualquer informações sobre um provável ponto de encontro.
Ainda assim, contra milhares de possibilidade disponíveis numa cidade como Nova York, a pesquisa indicou um alto índice de pessoas que escolhiam o mesmo lugar: o balcão de informações da Grand Central Station, a estação central da cidade, em um horário mais ou menos próximo (o meio-dia).
Pra tentar reproduzir, em menor escala, este experimento de consciência coletiva em São Paulo (mal aí, leitores do resto do Brasil), minha pergunta é simples: se o mesmo acontecesse em São Paulo, onde você iria pra se encontrar com o desconhecido?
Só um toque: clique aqui e tente não prestar atenção nos comentários anteriores – você pode não acreditar, mas a “cascata de informações” definida por Surowiecki no mesmo livro tem uma influência poderosa na opinião.
uma pergunta: vint cerf, criador do tcp/ip
O que é web semântica?
O Tim é melhor que eu para isto. O que ele está atrás é a habilidade de lidar com conteúdo de maneira que se chegue ao significado, e não à sintaxe. Hoje, quando fazemos buscas usamos palavras e indexamos todas as páginas a partir de palavras. Mas não sabemos o que a palavra significa, apenas que ela está nesta página.
Pode ser que você tente encontrar informações cujo significa seja expressado pelas palavras assim como por outros conteúdo. o problema é como encontrar toda informação na rede cujo significado é expressado por outros conteúdos.
A idéia de Tim é integrar o sentido ao texto da rede, na definição literal de busca semântica. Um estagiário do Google um dia me falou que hoje pessoas navegam por documentos. Queremos navegar por respostas, que são as respostas das perguntas.
Nos 60, pensaram que discurso seria entendido por uma espécie de dicionário automático no PC. Quarenta anos depois temos certa habilidade para entendimento de discurso mas para situações determinadas. Saber o número de um vôo algo muito mais fácil do que a filosofia por trás de Marcel Proust.
meia hora com vint cerf
Encontro o assessor cerca de 40 minutos antes do tempo marcado – algo excepcionalmente raro pra alguém com dificuldade de entender a divisão diária por horas. Enquanto ele tentar localiza um terceiro, ficamos sentados no saguão do luxuoso hotel na Barra da Tijuca matando tempo online – estamos em uma conferência sobre internet, nada mais natural.
O terceiro passa com um ar tranqüilo e o assessor corre para se apresentar “antes que alguém o alugue”. Ele pede vinte minutos antes de subirmos e se dirige ao elevador. Matamos mais um pouco tempo tempo esparramados no grande sofá caramelo e, às 8h50, subimos.
Estamos no sétimo andar. O sinal gratuito de internet sem fio usado por dezenas de pessoas no lobby não chega aqui. Uma norte-americano nos seus 50 anos bastante solícita pede que aguardemos. Ele não atrasará, avisa. Dez minutos depois, sai a equipe de filmagem. Nos cumprimentos com a cabeça e ela pede que nós entramos.
Estou dentro do quarto de Vint Cerf, o responsável por você estar lendo este texto agora. Cerf criou, junto a Bob Kahn, o protocolo TCP/IP que permite que cada PC tenha um IP (é, o RG digital) e se autentique em uma rede para navegar.
Entre profissionais da área e qualquer um com um certo conhecimento sobre a história da internet, Cerf é tratado como uma lenda viva.
Foi ele quem criou a base da rede que usamos hoje. Ele percorre o mundo em seminários pagos para falar a centenas de ouvintes suas idéias sobre o futuro da internet. Ele vai a festas dadas em seu nome por entidades que representam grupos de internet e telecomunicações. Ele é evangelista (e atual funcionário mais velho) do Google.
E mesmo assim, Cerf pega seu cartão sobre a mesa assim que seu acompanhante, um americano avermelhado além dos 50 anos, sai da anti-sala transformada em escritório e o estende em minha direção com as duas mãos, fazendo um cumprimento com o olhar.
Trocamos cartões, o assessor puxa uma cadeira e me instalo de frente a ele, olhando por sobre seu ombro para belas coberturas na orla da Barra da Tijuca. Como esqueci meu gravador, lhe aviso que terei que digitar toda a conversa no laptop, que fica aberto de costas para Cerf.
Ele sorri, diz que não tem problema e que tentará falar pausadamente. Pega meu cartão e cita o pesquisador responsável por desenvolver o padrão Ethernet (é bem provável que você também o use para ler isto) simultaneamente ao TCP/IP, que depois assumiu o cargo de publisher na multinacional onde trabalho.
E começa a contar histórias. Com sua barba branca bem aparado e sua fala mansa, Cerf lembra muito bem um avô sem pressa ou, melhor, pressão nenhuma para lhe contar da maneira mais detalhada possível (e sem nenhum media training também) os assuntos que ali lhe parecem mais pertinentes.
Sua amizade com Bob Metcalfe quebra a tensão e, no meio da sua digressão sobre seu papel como evangelista sênior do Google pode ajudar a molecada mais nova que trabalha ali, ele percebe que está falando demais sobre assuntos que podem não ter nada a ver com a entrevista. Ele não pode atrasar.
Pergunto sobre o papel do ICANN dentro das discussões que acontecem no Internet Governance Forum, evento organizado pela Nações Unidas no luxuosos hotel carioca que, além de Cerf, reúne a diretoria do órgão e do CGI, responsável pela internet brasileira.
NO meio de respostas faladas apressadamente, Cerf engasga e pede ao assessor um copo d´água. Toma a água, enxuga a gargante e se desculpa. Falo que não tem problema, não vou transcrever a tosse na entrevista. Ele brinca, me pergunta como se soletra COOOOOFFFFF (como se soletra uma tosse, afinal?) e a conversa segue.
Pergunto sobre a desconfiança do papel do ICANN. Ele parece incomodado e me pergunta se eu assistir a todas as palestras. Respondo que não, seria humanamente impossível. Pergunta se assisti uma só sobre o ICANN. Não, perdi. Ele pensa um pouco, respira fundo e, com um olhar incisivo, afirma que há problemas muito mais urgentes do que se pensar em um novo órgão, como o ministro Mangabeira Unger clamou na abertura do evento.
A cinco minutos do fim, o assessor avisa. Pergunto sobre web semântica. Ele parece ressabiado, fala que Tim Berners Lee sabe melhor que ele e, surpreendentemente para alguém aparentemente tão inseguro, responde devagarinho o que me pareceu a melhor definição já ouvida sobre a tendência. O tempo acaba, o assessor se levanta e Cerf parece assustado quando lembra que tem outra entrevista pela frente. Se despede cordialmente.
Na saída, cruzamos com outra equipe de filmagem. São 9h30. Sem atrasos.
*
Quase 12 horas depois, estou sentado no mesmo saguão onde meu dia começou esperando para entrevistar uma fonte de internet que, após participar de uma mesa de debate, se atrasou. Mesmo que o evento se encerre oficialmente no começo da tarde do dia seguinte, o clima geral é de descontração – para a maioria, será a última noite no Rio.
Há vários grupos espalhados pelo lobby e o apertado bar com parede acarpetadas ali do lado parece não comportar a quantidade de executivos que buscam uma cerveja. Mulheres arrumadas, homens de bermuda e pochete e até uma noiva desfilam pelo saguão.
É daí que aparece Cerf de novo. Não houve uma ocasião que não o tivesse visto no IGF que não estivesse escoltado por uma série de homens engravatados – possivelmente conhecidos ou admiradores. Ele bem apressado, passa pelo bar fazendo cumprimentos leves com a cabeça e se reúne com outros grupo maior. Já perto da porta, onde está minha poltrona, vira-se para o lado esquerdo, me vê e faz, com um sorriso tímido no rosto, um sinal de pistola com o dedo da mão direita. Até agora não entendi o que foi aquilo.
o 1º internauta brasileiro é…
marcelo tas. a descoberta, relatada no blog do sérgio amadeu, foi do próprio tas.
mas a tal descoberta não é algo tão pontual. evidente que é dificílimo apontar o real primeiro usuário da web no brasil. sabe-se que a primeira conexão foi testemunhada por um grupo de pesquisadores, entre os quais demi getschko, o tal pai da internet brasileira.
quem garante que não havia algum civil lá? de qualquer modo, o fato do tas ter sido um dos primeiros é (outra) prova do entusiasmo do rapaz.
camiseta das redes sociais


Nerd fashion demais. Valeu, Junior.
flock you
Se eu fosse você, baixava e instalava o Flock pra começar a se acostumar com algumas novidades que o Internet Explorer 8 e até o Firefox 3 vão ter um dia…
Aliás, Chris Blizzard, o cara que coordenava a criação do sistema Sugar para o “laptop de 100 dólares”, saiu da Red Hat pra virar evangelista da Mozilla. Coisa boa vem por aí.
De onde vem a grana pra pagar um cara deste naipe? Mitchell Baker, num texto longo e abusando do corporativismo em nome da transparência, explica: do Google.
os passos à frente do google
O cenário parecia ideal para uma comparação: uma empresa jovem introduz uma novidae que deixa o mastodonte do setor desnorteado e o obriga a tomar medidas que seguim a inovação do mais novo para não se dar ao luxo de perder mercado.
Ao contrário do que o bom senso possa indicar, porém, o Google não foi a Microsoft em se tratando de Facebook. Complicou? Vamos por etapas.
A Microsoft nunca primou pela agilidade. Mas quando a empresa de Bill Gates resolvia investir, sai da frente. Macintosh, ICQ e Netscape que o digam – o pioneirismo não evitou que Windows, MSN Messenger e Internet Explorer dominassem amplamente o mercado.
Em uma bebedeira de jornalistas, a Microsoft ganhou o apelido de Junior Baiano – sempre chega atrasada, mas nunca perde uma viagem.
Com a explosão de acesso e moral do Facebook frente a um combalido MySpace e um cada vez menos significante lá fora Orkut, cabia ao Google ter que correr atrás da jovem rede social para que seus usuários não perdessem interesses.
O que fez o Google? Abriu sua plataforma para desenvolvimento de aplicativos de terceiros? Não. Formulou um padrão aberto para que todas as redes socias dispusessem de um mesmo conjunto de APIs para criar aplicações, o OpenSocial – simples e “bastante internet”, como diria John Battelle.
O Google simplesmente não copiou o Facebook, mas deu um passo à frente e votou a nova rede numa sinua de bico – são 7 redes sociais com potenciais 200 milhões de usuários contra apenas uma que, mesmo supostamente valendo 15 bilhões de dólares, tem apenas 50 milhões de usuários.
O TechCrunch classificou a jogada como “xeque-mate“. Não dá pra concordar mais – além de virar o jogo em questão de dias, o Google provou que consegue manter a inovação, pelo menos quando resolve levar redes sociais a sério.
Durante evento para apresentação da plataforma em São Paulo, me pareceu claro também que na hora em que os aplicativos para Orkut tiverem um número mínimo de interessante (vide meu exército de zumbis no Facebook), pode dizer adeus a qualquer outro concorrente.
A massa, que é o que mais importa, o Orkut já tem. Na hora em que efeito viral de aplicativos dentro da rede social bater, a campainha soa e o juiz levanta o braço do engenheiro turco que passeia pelo Rio de camisa cafona – claro que vai precisar rolar um olho aberto com segurança tremendo.
Ironicamente, o lançamento do Android (ou o tão falado gPhone) vai exatamente na mesma direção do OpenSocial para redes sociais – o Google aproveita seu poder de barganha para propor um padrão de mercado para atividades ainda incipientes.
Um sistema aberto para telefones celulares permite não apenas que a comunidade desenvolva aplicativos móveis mas também que fabricantes poderão usar os softwares em aparelhos mediante algum tipo de compensação ao Google.
Você também pensou em publicidade? Propaganda móvel é ainda algo bastante incipiente mas que deixa qualquer acionista com cifrões nos olhos de imaginar uma possível monetização dos mais de 3 bilhões de celulares atualmente no mercado.
Oferecer uma plataforma aberta significa aposta em aparelhos mais acessíveis que tenham ferramentas do Google por trás dos aplicativos desenvolvidos pela comunidade – aqui entra também um fator viral que deverá ser febril na OpenSocial.
Ambas as plataformas, aliás, nascem com chances mastodônticas de rolarem – a primeira pela combinação do setor de redes sociais, a segunda pelos mais de 30 parceiros do Google que incluem operadoras, fabricantes de aparelhos e desenvolvedoras.
Te lembra do lema da web 2.0 daquele cartum maravilhoso da ovelha? Pois é, lá vai o Google pegando uns pares de ovelha e sendo o principal beneficiado pela lã que vai cair em suas mãos. Você dá os anéis, mas ganha o centro de ourivesaria de volta.
os mortos andam

Rola na próxima sexta-feira o segundo Zombie Walk paulistano. O esquema é o mesmo do ano passado – sai do Masp e acaba no Outs, onde vai rolar balada de mortos-vivos.
Nas edições de Toronto e Nova York da Zombie Walk, rolaram zumbis bem profissas. A gente vê lá como estarão os paulistanos deste ano.
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o lado b das 8 dicas de banda larga
Vou tentar falar isto da maneira mais objetiva possível.
Pra publicar a matéria sobre 8 dúvidas básicas na hora de contratar uma banda larga, me perdi entre contratos de prestação de serviço, (muitas) informações conflitantes dadas pelos diversos lados interessados na histórias e (alguns) toque precisos de quem conhece o setor.
A pauta surgiu pra explica pra quem não entende direito a proibição da exigência de provedor para Speedy que rolou em setembro e acabou descambando também para outras dúvidas, tipo teto de download, traffic shapping e garantia de velocidade.
Entre contextualizações históricas e um blá-blá-blá jurídico que não ajuda nada quem não passou cinco anos estudando leis (como eu), a decisão judicial proferida pelo juiz Marcelo Zandavali traz um parece bem claro quanto à exigência técnica de provedores, transcrita abaixo.
(Clique na imagem para baixar o PDF de 53 páginas com a decisão final)
Teoricamente, provedores deveriam comprar links de operadoras de telefonia para oferecer a seus clientes conexões de internet- era assim que funcionava o dial-up. O cenário mudou com a banda larga, quando operadoras como a Telefônica ofereciam (e ainda o fazem) planos diretamente pro usuário.
Porque pagar pelo provedor, que oferece apenas uma autenticação classificada como desnecessária pela Justiça? Os defensores alegam os tais serviços agregados (email, principalmente) e a proximidade do usuário, como me alertou o presidente da Abranet.
Entenda o cúmulo da carência: você paga um serviço que não precisa só pela “proximidade” que o provedor tem com você. E isto é uma piada, sim, sobre uma afirmação que beira o absurdo.
Não é difícil entender a explosão de raiva que presenciei durante a entrevista com o presidente do Abusar quando o assunto Speedy veio à tona – no papel de repórter, é preciso filtrar o que é ataque puro de possíveis argumentos que o sustente.
Eles vieram, mas não pela organização que dá ótimas dicas para quem se sente prejudicado (e não são poucos) pelas operadoras brasileiras, também campeãs em ignorar solenemente usuários.
Anos de brigas passados, quem defende a necessidade de provedor não conseguiu ainda dar um argumento tão conciso e analítico como aquele acima do juiz Zandavali.
Do lado da Net, uma observação também. Lá no contrato do seu Virtua (full disclosure: eu sou um usuário Virtua sem maiores reclamações), a cláusula 35 aponta que a contratação de um provedor é obrigatória.
A Net diz que já oferece um de graça, mas (leia meus lábios) isto deverá trazer problemas futuros também à empresa de TV a cabo.
Por enquanto, preocupe-se em ler alguns tutorais por aí para suprimir o suposto traffic shapping que a Net classifica como “falácia” e jura de pés juntos que não faz – se não faz, não ficará chateada pelos tutorais, né?
o mashup dos botecos

O Google Maps é a ferramenta de mashups mais fácil da internet (se quer algo um pouco mais complicado mas mais amplo, o Popfly tá em beta aberto). Você acha o endereço, seleciona o ponto, escreve suas observações e pronto.
O mashup acima junta definições que escrevi no meu perfil do DicaSP, do cumpadre Tharso, com a cidade de São Paulo. Foi tudo feito na mão, mas não tomou mais que meia hora – Tharso, que tal uma integração nativa, hein?
Ainda não dá pra comunidade mexer e, sinceramente, não sei nem se é o caso – de tão fácil que é, dá pra você fazer um com cinema, bares, restaurantes eo diabo. Tenta lá.
Enquanto o mashup estava sendo bolado, topei com um que humilha este aí – tanto pelo cardápio como pelo trabalho meticuloso do cara.
O Avi Alkalay, engenheiro de Linux da IBM, juntou restaurantes vegetarianos de São Paulo com direito a pequenos resumos, endereço e preço médio de cada refeição. Vale a pena dar uma olhada.
Ironicamente, enquanto os botecos eram listados, o Wagner Tamahana, da Colméia, mandou convite pro OlhaOnde.eu, serviço de mapas online pra usuários criarem suas listas de algo, tipo lugares onde eu já tropecei - entendeu o domínio?
Wagner avisa que ainda está em alpha, o que implica, principalmente, em edições bastante básicas e falta de massa crítica pra que as alterações em outros mapas criem conteúdo srelevantes. Mas dá um tempo pra molecada – eles estão no caminho certo.
Mais avançado está o VCVai.com que, se não prima pela diversidade, dá um tratamento profissional nas indicações que traz para as cidades de São Paulo e Campinas.
Este investimento recente em mapas online no Brasil também pega outra empresa, muito maior e com acordos muito maiores. Mas isto você só vai saber na semana que vem.
Update: O Google oficializou seu Google Maps no Brasil nesta semana inaugurando funções inéditas, como indicações de estabelecimentos, a outras já abusadas pela comunidade, como traçar rotas entre dois pontos. Num futuro próximo, pequenos empreendedores e profissionais liberais poderão integrar seus negócios no mapa, que também contará com propagandas da plataforma AdSense. Leia lá no Now!.














