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o artigo sobre desenvolvimento da blogosfera no Brasil
Cá está a primeira parte pública da dissertação de mestrado. O artigo apresentado na Divisão Temática Multimídia do Intercom Sudeste 2010, que rolou em Vitória entre os dias 13 e 15 de maio, é uma adaptação do terceiro capítulo da dissertação.
O artigo compara marcos da blogosfera no Brasil com o desenvolvimento norte-americano nas categorias Pioneiros, Ferramentas e Visibilidade. A bibliografia é pequena já que o artigo foi, em sua maioria, escrito a partir de apurações com quem participou de episódios relatados no artigo.
O capítulo foi diminuído das 27 páginas apresentadas para a banca em dezembro para as 15 exigidas como limite máximo pela organização do Intercom. Para cair pela metade, cortei bastante a introdução, detalhando as primeiras conexões acadêmicas no Brasil e o consequente nascimento da web comercial.
Deixei de fora uma quarta categoria de comparação (Adoção Corporativa) tanto pela necessidade de cortar o texto como pela falta de profundidade da análise original. Se a dissertação avançar além da academia, penso em aprofundá-la para voltar trazê-la novamente.
Como ainda quero aproveitar capítulos em outros simpósios de comunicação (que exigem material inédito), a íntegra da dissertação ainda não vem pra cá.
Dúvidas, sugestões e o escambau, os comentários e o email ali do lado estão abertos.
sobre o término do mestrado
Acabou meu mestrado. Na sexta-feira, 4 de dezembro, defendi minha dissertação, chamada “Blogues: debates sobre 3 perspectivas e desenvolvimento do fenômeno no Brasil”. Tirei 10, ganhei mais elogios que esperava, respondi algumas dúvidas, acatei a maioria das sugestões, fui recomendado a reutilizar a dissertação em artigos acadêmicos e até mesmo a possibilidade de uma bolsa-sanduíche (mezzo no Brasil, mezzo lá fora) foi aventada para um doutorado.
(Lá no Flickr você pode ver algumas fotos da banca, feitas pelo chapa Melão)
Parece-me que vale a pena abordar alguns pontos após o final do mestrado. No lado das dificuldades, a principal foi a mistura entre as linguagens acadêmica e jornalística. Na hora de escrever os primeiros textos, era inevitável que o formato acadêmico, mais rígido e permeado por citações, se encaminhasse para o jornalístico, principal motivo das porradas (justas, há de se dizer) na qualificação.
Era preciso ficar atento à redação no período entre a qualificação e o depósito, quando a dissertação foi profundamente alterada, ganhando nova estrutura e jogando no lixo grande parte do que havia sido apresentado para a banca. A reestruturação trouxe como consequência direta o fato que, de agosto e outubro, usei praticamente TODO tempo livre que tive para o mestrado. Confesso: não é nada agradável, principalmente às pessoas que te cercam.
Outra dificuldade foi a falta de registro do mercado de internet no Brasil. Contraditoriamente a uma mídia onde guardar cópias (de páginas e documentos) é algo barato, são poucos e mal organizados os registros históricos do mercado online no País, o que inevitavelmente compromete a qualidade das análises baseadas em dados. Tive até mesmo dificuldade de arrumar informações precisas com os portais das suas próprias ferramentas de blog.
Exemplos raros disto são o livro “Os bastidores da internet no Brasil“, do chapa Edu Vieira, e o excepcional artigo “A Evolução das Redes Acadêmicas no Brasil“, de Michael Stanton. O primeiro fala sobre os investimentos que levaram à formação dos players do mercado de internet no Brasil, principalmente os portais, enquanto o segundo se concentra na maneira como as universidades nacionais começaram a se conectar às redes acadêmicas norte-americanas, principalmente à Bitnet.
Além de trocas de e-mails, cafés e mensagens instantâneas com pessoas envolvidas com blogs no Brasil, o terceiro capítulo da dissertação partiu de uma precisa compilação de marcos da blogosfera nacional feita pelo Alexandre Inagaki à revista Época da última semana de julho de 2006. A lista, vale lembrar, serviu de ponto de partida para uma apuração mais aprofundada das categorias que a dissertação se propunha a comparar com os Estados Unidos: ferramentas, visibilidade, pioneiros e adoção corporativa.
A promessa de publicar o PDF na íntegra aqui após as sugestões da banca na defesa não rolará, pelo menos até que alguns (um, dois ou três) artigos acadêmicos sejam adaptados e publicados em congressos, algo que exige ineditismo. Assim que o número estiver fechado e os artigos na rua, o PDF vem pra cá para ser baixado sem qualquer drama sob licença Creative Commons. Há ideia de reaproveitar o conteúdo de outra forma, mas a gente conversa sobre isto mais tarde.
Por fim, assim que saí da banca me lembrei do Piquet falando sobre o que mudou na sua vida após ganhar seu primeiro mundial de Fórmula 1 em 1983. Começa aos 16 segundos.
a banca de mestrado tem data e hora
A quebra no silêncio tem ótimo motivo: a banca de defesa da minha dissertação de mestrado está marcada. Será no dia 4 de dezembro, uma sexta-feira, às 14h no auditório 1 do prédio do TIDD, que fica na rua Caio Prado, número 102.
A defesa é aberta a todos e, desnecessário dizer, gratuita. Vale aqui uma ressalva: defesas de mestrado são chatas. O mestrando explica o trabalho, a banca dá seu parecer, o mestrando responde às críticas e a nota é dada, numa dinâmica polvilhada por citações, explicações sobre decisões acadêmicas e um ou outro puxão de orelha.
Em suma, não é algo divertido. Ainda assim, se tua tarde estiver tranquila demais e você tiver umas horinhas livres para gastar, apareça. A bebedeira depois está garantida.
A dissertação se chama “Blogues: debates sobre três perspectivas e desenvolvimento do fenômeno no Brasil” e é dividida em quatro capítulos. O primeiro, a espinha dorsal acadêmica do trabalho, discute três perspectivas sobre as quais os blogs podem ser entendidos – estrutural, práticas e conversacional.
No segundo capítulo, o debate aborda a distinção do blog como gênero para o blog como mídia, passando por alguns marcos históricos que justifiquem as tipificações anteriores.
O terceiro compara as semelhanças e diferenças do desenvolvimento dos blogs no Brasil e nos Estados Unidos em quatro categorias: Pioneiros, Ferramentas, Visibilidade e Adoção Corporativa.
Por fim, o quarto capítulo analisa três blogs brasileiros relevantes à dissertação, principalmente à discussão do primeiro capítulo: o Para Francisco, da designer mineira Cris Guerra; o Correndo Atrás, do subeditor de arte da Globo.com Mario Guilherme Vasconcelos; e o AllesBlaus, blog coletivo criado pela publicitária Juliana Maria da Silva.
(ZZZzzzzzzzzzzzzz….. pronto, já pode acordar. O papo acadêmico chato acabou)
A banca será composta pelo Marcelo Coutinho, ex-Ibope; pela Pollyana Ferrari, pesquisadora e professora de jornalismo digital; e pela Lúcia Leão, orientadora da dissertação.
O Demi Getschko, presidente do NIC.br e pai da web no Brasil, e o Sérgio Amadeu, pesquisador e professor de cultura digital, são os suplentes.
Após a banca, pretendo mexer no PDF para acomodar as possíveis sugestões e críticas. Publico-o aqui assim que a revisão tiver terminado. Dúvidas, mande-me um email que respondo com prazer.
o entendimento cidadão está torto
Há algo de errado (pelo menos no começo) no Y! Repórter. Veja as imagens desta sexta-feira (02) ou dê um pulo no grupo para vê-las em tamanho maior.
Destas, quantas você colocaria na capa de um portal noticioso? Eu destaco três: a enchente no Rio de Janeiro, Bob Burniquist nos X Games brasileiros e o helicóptero dos Bombeiros sobrevoando um revolto mar no Arpoador.
Problemas: a foto da enchente é de janeiro e a imagem do helicóptero não mostra nada demais. O resto das fotos no Y!Reporter, grupo inaugurado pelo Yahoo Brasil como forma de canalizar possível conteúdo jornalístico amador dentro do Flickr, são de navios, estátuas, panorâmicas e de uma família (!).
Ninguém escolhe presenciar um evento onde os olhos (e, principalmentes, câmeras) dos jornalistas amadores têm mais valor e o começo fraco não significa também que o Y!Repórter é uma idéia de merda (eu, pelo menos, não acho). Mas falta consciência deste lado da corda. Do usuário.
Na conversa durante a Campus Party que rendeu um post extremamente popular em listas de discussão (onde rolaram xingamentos a rodo e a idoneidade do repórter foi questionada), Pedro Doria defendeu que as Eleições 2008 erão a plataforma para que o jornalismo cidadão ganhe corpo e, principalmente, organização no Brasil.
A publicação de uma foto de família e de um bebê brincando com luzes (ok, é fofo, mas não ali) num grupo de jornalismo cidadão engrossa minha descordância no assunto.
Repetindo: “não me parece tão certo que pessoas comum tratarão fatos corriqueiros, como uma frase política vinda de um palanque, como notícia digna de ser publicada e compartilhada com muitas pessoas”. Ou talvez, seja exatamente o contrário também: não jornalistas (ou quem não está envolvido na reportagem de notícias) talvez veja como altamente pertinente para a comunidade uma família ou uma estátua.
Na boa, não é.
mestrado: há, finalmente, uma proposta
Quinze meses após a entrega da proposta original (e algumas ruminações depois), há finalmente um novo objeto de estudo para este mestrando. Decidi: a tese vai estudar possíveis modelos comerciais empregados pelas empresas da chamada Grande Mídia para remunerar a produção de conteúdo amador com valor jornalístico.
Quer um exemplo claro? O material amador mais valioso da história é a tomada de 26 segundos feita pelo comerciante ucraniano Abraham Zapruder da visita do presidente John Kennedy a Dallas em 22 de novembro de 1963.
No 17º segundo, a a bala atirada por Lee Harvey Oswald entra na cabeça de Kennedy, produzindo um borrifo de sangue, um instante de choque na 1ª dama Jacqueline Kennedy e sua conseqüente morte.
Trinta e seis anos depois, o filmete feito por Zapruder em uma Böwe Bell & Howell, tanto pela qualidade da imagem, feita em ângulo ideal, como pelo valor histórico, foi arrematado pelo governo-americano por 16 milhões de dólares.
Seja pela explosão na penetração de aparelhos que capturam imagens (e aí você coloca celulares, câmeras fotográficas e filmadoras) ou pelo altíssimo impacto político que significava um presidente norte-americano morto em frente às câmeras, é improvável que um material amador de novo valha tanto como o feito por Zapruder.
Por outro lado, começam a pipocar na internet serviços que se posicionam como agências de notícias (e, principalmente, fotografias e filmetes) amadoras. Há uma evidente importância do fenômeno na indústria das celebridades – a presença de uma estrela de cinema no mercado dá mais cliques (e, conseqüentemente, rende mais dinheiro) que uma batida de carro.
A tese há de se concentrar no conteúdo amador com valor jornalístico e exemplos recentes não faltam pela mídia brasileira. Da foto da explosão de um andaime que parou na capa da “Folha de São Paulo” aos filmes curtos e de péssima qualidade feitos com celulares que sustentaram uma audaciosa matéria no Fantástico (já não disponível online, sabe-se lá porque).
Da foto da explosão na Usina Elevatória de Traição que supostamente causou um blecaute na Zona Sul paulistana em fevereiro às imagens de casas pegando fogo na Zona Norte após a queda de um avião de pequeno porte que arremetia do Campo de Marte.
Evidentemente, estamos falando de negócios já estabelecidos, principalmente na combinação “publicidade+assinatura” para impressos e “investimentos do grupo detentor+publicidade” entre os portais. Há como imaginar uma agência de notícia amadora no Brasil que se estruture de forma a alimentar jornalões, portais e programas de TV?
Há material suficiente para justificar a formação de um grupo que centralize a tentativa de divulgar conteúdo amador de relevância jornalística? Se este grupo for formado, quem garante que alguém não vá procurar grandes conglomerados diretamente? Considerando-se que haja massa crítica, como ganhar dinheiro (propaganda parece uma possibilidade complicada de se considerar)? Quem deve receber mais: o jornalista amador ou o intermediário?
Na tentativa de responder estas perguntas (e se deparar com tantas outras), entra o modus operandis do OhMyNews, os objetivos de projetos como o CitizenSide e o 8020 Publishing, assim como a listagem de outros aproveitamentos de conteúdo amador pela Grande Mídia brasileira, entram na roda.
Burocraticamente, o curso está trancado até o segundo semestre. Isto faz com que, até julho de 2009, as atualizações rolem por aqui.
a morte do jornal por cauthorn
Quer dizer então que o jornal de papel vai desaparecer?
Robert Cauthorn - Um livro impresso sempre terá razão de ser, já que pode ser lido várias vezes ao longo de muitos anos. Mas quais serão as vantagens do papel para um jornal? A força do hábito para muitas gerações de leitores e o conforto da leitura em folhas grandes, mais agradável do que a leitura na tela. Mas tudo vai mudar com a chegada, após a generalização da banda larga, da tinta eletrônica e das telas flexíveis. Para produzir um jornal de papel, árvores são cortadas, transportadas, transformadas em celulose e depois em rolos gigantes de papel que são transportados para gráficas.Os consumidores os compram, os levam para suas casas e, depois, os jogam no lixo. Eles são recolhidos por caminhões e, na melhor das hipóteses, levados a centros de reciclagem. Tudo isso guarda mais relação com a logística do que com a informação! Para um produto tão imediato quanto um jornal, esse desperdício é obsoleto. Jornais são impressos, embalados, carregados sobre caminhões e depois descarregados nos pontos-de-venda.
De ótima entrevista com Robert Cauthorn, considerado pioneiro da informação digital pela adaptação primária de jornais à web, ao Le Monde e traduzido e publicado pelo Mais, da Folha de São Paulo.
O processo descrito por Cauthorn lembra exageradamente o processo extremamente braçal que hoje é ir ao supermercado – prateleira, carrinho, caixa, sacola, carrinho, carro, carrinho do estacionamento, chão de casa e prateleira de casa.







