Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

Archive for the ‘mercado’ Category

passa openxml, passa boiada

Comments

A ISO aprovou o OpenXML – a mesma OpenMalasya que computava uma derrota pelos votos na semana passada indicou mudanças no quadro que levaram à aprovação.

A mudança repentina na votação  da semana passada pra cá, que envolve mudanças abruptas de opinião, é um belíssimo exemplo da ação dos grupos de lobistas que jugernauts de TI têm para casos que representem uma potencial derrota (financeira, principalmente).

No IGF 2007, no Rio, figurões da internet, tipo Vint Cerf e Demi Getschko, dividiam corredores com lobbistas – posso confirmar que Google e Microsoft estavam lá, com toda a certeza.

(O Google Brasil está, inclusive, procurando um diretor de políticas públicas e “government affairs” pro país).

Comece pela descrição do Jomar para entender o processo. Para mergulhar no suposto lado obscuro da coisa, comece pelo NoOOXML e siga os links tanto do Groklaw como do OpenMalasya com documentos que supostamente comprovam o lobby da Microsoft na Malásia, Filipinas e França (com direito a suposto contato com Nicolas Sarkozy).

Update: leitor do Now! lembra que a Microsoft admitiu ter prometido incentivos financeiros na Suécia pela aprovação do OpenXML na primeira votação.

Written by Guilherme Felitti

April 2nd, 2008 at 9:36 am

Posted in mercado

apple ronda

Comments

A cumadre Camila Fusco avisa no seu Governança que representantes da Apple estiveram no Brasil para conversar tanto com o governo brasileiro para incentivos fiscais como com integradores, como a Celéstica, que tem acordo similar com a HTC.

Somando: acordos de varejo (Extra + Fnac + Fast Shop), negociação com a Vivo e suposta fabricação nacional.

Written by Guilherme Felitti

March 30th, 2008 at 7:54 pm

Posted in gadgets,mercado

o bolão do openxml

Comments

tabela_OOXML
tabela_OOXML2
A ISO só revela nas próximas semanas se o OpenXML, da Microsoft, ganhar[a a certificação homônima – até domingo (30), os 32 países envolvidos se decidem e enviam seus votos (ou alterações sobre a votação de setembro) à organização.

Até agora, dá “não”.

O blog OpenMalasia montou as tabelas acima pra dar um panorama sobre como cada um dos países envolvido deve votar. O Brasil confirmou seu “não” há dois dias. Entre as mudanças confirmadas, a República Tcheca mudaria para “sim” e Cuba, para “não”.

O Brasil, não precisa falar, tá rezando de joelhos pra não passar.

Written by Guilherme Felitti

March 27th, 2008 at 6:39 pm

Posted in internet,mercado

a apple virando microsoft

Comments

John Lilly, CEO da Mozilla, ataca a maneira como a Apple está tentando empurrar seu Safari junto a atualizações de segurança para o iTunes.

Te lembra alguém? Se você pensou na Microsoft, bingo. Como você acha que o Internet Explorer alcançou penetração além dos 90% antes do Firefox?

Written by Guilherme Felitti

March 24th, 2008 at 12:27 pm

Posted in mercado

apple: o canal, não a loja mais uma vez

Comments

A Iguatemi Empresa de Shopping Centers deverá confirmar ainda nesta semana a inaguração do que vendeu-se como Apple Store no Brasil.

Na verdade, a Fast Shop inaugura novas filiais, reformuladas, e com um stand dedicado à Apple no Iguatemi e no Market Place, como o presidente da empresa, Carlos Jereissati Filho, já havia adiantado ao Valor.

Não há Apple Store como a conhecemos lá fora. Pelo menos por enquanto. O acordo entre Fast Shop e Apple segue a tendência iniciada com o Pão de Açúcar de usar estrutura já disponível de varejos focados nas classes A e B.

Written by Guilherme Felitti

March 10th, 2008 at 7:57 pm

Posted in mercado

jornalismo cidadão na globo.com e no uol

Comments

cogumelo
Pessoal do iG, tenha lições de como aproveitar bem conteúdo jornalístico do usuário com exemplos recentes da Globo.com e do UOL.

A primeira pela felicidade de recever o arquivo enviado pelo leitor Odair Rodrigues do momento pouco após da suposta explosão na Usina Elevatória de Traição, entre a Vila Olímpia e a Berrini, que causou o apagão na Zona Sul nesta sexta-feira (04).

A segunda pelo vídeo feito pelo usuário lacpremier enviado para o VideoLog com o que provavelmente foi o primeiro vídeo do galpão na Barra da Tijuca atingido pela queda de um avião no domingo (02). No dia, o UOL linkava direto para o vídeo no VideoLog como subdestaque principal da sua home.

Há um ano, o Fantástico ousava com uma matéria apoiada no UGC – atingida por uma bala perdida em um tiroteio, Priscila Aprígio tinha sua imagem registrada por celulares de testemunhas em horário nobre de domingo.

Há cada vez mais conteúdo a ser estudado para o mestrado. Maravilha.

Written by Guilherme Felitti

March 4th, 2008 at 10:06 pm

Posted in internet,mercado

por quê você deve torcer pelo Google no leilão dos 700 Mhz

Comments

A Comissão Federal de Comunicações, a Anatel responsável por gerenciar espectro e ditar regras de mercado de telecomunicações norte-americano, começou na última semana a leiloar as licenças para exploração da freqüência de 60 MHz do espectro dos EUA – entre elas, está o bloco C, responsável pela banda de 700 MHz.

Enquanto o Brasil engatinha na TV Digital, os EUA matarão a TV analógica, cujo sinal hoje é propagado pela freqüência de 60 MHz, em 17 de fevereiro de 2009, deixando o espectro vago. Uma das características técnicas da tecnologia são ondas de melhor propagação e menor ruído frente a obstáculos quanto mais baixa for a freqüência.

Como redes de dados telefônicos estão hoje entre os 800 MHz e os 850 MHz, faça a matemática e chegue à conclusão que a banda de 700 MHz é um pote de ouro para a transmissão de dados em uma espécie de banda larga sem fio de melhor propagação e alcance, mas não tão boa em carregar dados, que os atuais serviços 3G nos EUA.

O leilão da banda vaga atrairia tradicionalmente operadoras de telefonia interessadas em montar um serviço de transmissão de dados explorando seus benefícios técnicos ou simplesmente em sentar sobre a licença para impedir que concorrentes ameacem mudar o atual modelo de tráfego de dados sem fio nos EUA.

O interesse do Google no leilão, oficializado no final de novembro de 2007, dá conta do interesse do buscador em algo já testado, ainda em que em grau muito menor, nas redes sem fio gratuitas oferecidas na região de Mountain View – oferecer acesso (gratuito, provavelmente) nacionalmente pelos 700 MHz, já que a licença prevê penetração nos 50 estados dos EUA.

Entenda: operadoras de telefonia queimam aparelhos no mercado, seja ele o norte-americano ou o brasileiro, para atrelar usuários a planos longos em que suas redes são bastante usadasO negócio principal é a rede de dados, não os aparelhos.

Não há nada mais sagrado para uma operadora do que sua rede de telefonia. A relação entre operadoras e fabricantes de celulares segue um círculo vicioso – a segunda faz um celular que agrade o usuário e a primeira o oferece a preços irrisórios. Celular comprado, ganha a fabricantes, que vendeu mais um gadget, e a operadora, que terá serviços de telefonia garantidos por alguns meses em planos fechados.

Um caso raríssimo em que operadoras deram poder à fabricante envolve Steve Jobs e seu iPhone. Da sensacional matéria de Fred Vogelstein, da Wired, sobre os batidores do celular da Apple.

For years, carriers had charged customers and suppliers for using and selling services over their proprietary networks. By giving so much control to Jobs, Cingular risked turning its vaunted — and expensive — network into a “dumb pipe,” a mere conduit for content rather than the source of that content.
(…)
The iPhone cracked open the carrier-centric structure of the wireless industry and unlocked a host of benefits for consumers, developers, manufacturers — and potentially the carriers themselves.

A ameaça que o Google representa para as operadoras já é um ótimo motivo para você torcer por ele. Mas não pára aí. Com o lance mínimo atingido, a FCC exigirá que o ganhador, além de cobrir o país todo, deixe sua rede aberta para que equipamentos ou serviços de outros empresas pudessem acessá-la.

O IDG News Service cita analistas que consideram que o interesse do Google pode ser um blefe. Diz que quer, acompanha o processo de perto, se beneficia do leilão anônimo e, com os medo das operadoras tradicionais, sai do processo sem a exigência de gastos bilionários na construação de infra-estrutura, mas com uma rede aberta para seus serviços.

Como todo leilão, quem der o maior lance leva. Na 17º rodada, um participante anônimo (os vencedores serão conhecidos só após todas os 1.099  blocos terem sido arrematados) ofereceu US$ 4,7 bilhões. Ninguém cobriu na rodada seguinte. Ainda não terminou – lances podem ser dados até que todos os blocos tenham propostas.

Uma suposta vitória do Google seria profana – uma empresa de dados no controle de dados não veria a rede proprietária como uma forma de reaver seu caro investimento cobrando muito por conteúdo, mas liberando o tráfego até certo ponto para que outras formas de gerar dinheiro fizessem seu papel (não dá pra não lembrar do AdSense aqui).

A principal razão para você torcer pela vitória do Google é saber que, hoje, ele é uma ameaça real que pode forçar operadoras de telefonia, atualmente tão certas de si a ponto de ofereceram serviços péssimos a seus clientes, a colocarem os pés no chão.

E quem já passou horas tentando cancelar um produto ou uma linha, seja fixa ou celular, sabe bem do que estou falando.

Pra complementar, o Pedro Dória escreve sobre o mesmo assunto, enquanto um texto do Popular Mechanics (usado de base técnica para este post) elucida suas dúvidas mais tecnológicas.

Written by Guilherme Felitti

January 31st, 2008 at 10:40 pm

lá vem a recessão

Comments

Em pleno dia de keynote de Steve Jobs, as ações da Apple caíram 5,45%. A queda é apenas mais uma desde dezembro, quando os papéis da empresa ultrapassaram os 200 dólares – no dia do keynote, fecharam valendo 169 dólares.

Não foram só os papéis da Apple que caíram. Seguindo a queda geral tanto da Nasdaq (-0,95%) como da Dow Jones (-0,28%) (a crise do subprime – problemas da instituições e dos devedores com o sistema imobiliário norte-americano), gigantes de TI fecharam esta quarta (16) com quedas.

Não bastaram a Sun desembolsar US$ 1 bi pelo MySQL e a Oracle gastar US$ 8,5 bi na BEA Systems (a empresa de tecnologia cujas ações mais subiram nesta quarta) para evitar que o mercado de tecnologia de maneira geral caísse 2,75% – péssimo resultado frente à movimentação.

Todas, menos duas – além da já citada Bea, a AMD, muito mais por cagada da Intel, que comunicou a seus acionistas que não atingiria os lucros esperados, derrubando seus papéis além dos 12%, do que mérito da AMD, que ainda se recupera de um 2007 desastroso, motivo até mesmo de desculpas de Hector Ruiz, seu presidente.

summary_shares

Na terceira semana do ano, a previsão que temos do mercado norte-americano (viu o prejuízo de US$ 9,8 bi do Citiband só no último trimestre do ano?) não são nem um pouco otimistas. De novo, feliz ano novo pra ti.

Written by Guilherme Felitti

January 16th, 2008 at 10:13 pm

Posted in mercado

como nasce a notícia – apple e fast shop

Comments

apple14th

Há bastidores que interessam mais que a própria notícia, seja pelo baixo impacto que ela ainda causa ou pelos detalhes do percurso que nem sempre a objetividade jornalística permite encaixar na nota.

Ao tentar repercurtir uma notícia publicada pela britânica MacWorld, do IDG internacional, sobre novas lojas da Apple na América Latina, a colega Daniela Moreira ouviu da assessoria de imprensa da Apple Brasil que a responsável pela Apple Store no Brasil é a Fast Shop.

A mesma assessoria que, dias antes, me dissera com uma estranha informalidade ao tentar confirmar a afirmação do presidente do Iguatemi Empresas de Shopping Centers, Carlos Jereissati, que “mesmo se fosse verdade, a Apple Brasil não falaria”.

Um toque deste blogueiro/jornalista sobre uma conversa tida com o cumpadre Henrique Martin em outubro, que virou post no seu Zumo, a levou a conversar também com a StarComputer, revendedora de equipamentos de informática.

De um executivo do alto escalão da StarComputer, ouviu que a Apple havia procurado a loja para montar e administrar as Apple Stores no Brasil. A oferta foi rejeitada. Procurada, a assessoria da Fast Shop confirmou a parceria para as lojas e prometeu uma entrevista com o presidente da cadeia no Brasil.

Tudo passou-se na tarde do dia 10 de dezembro, uma segunda-feira. A entrevista estava prometida para a manhã da terça, quando então Moreira publicaria a nota.

Estava. Na manhã da terça, as assessorias tanto da Fast Shop como da Apple Brasil voltaram atrás nas informações dadas anteriormente e, sem surpresas, o presidente da rede de lojas não foi encontrado para uma entrevista.

A notícia foi ao ar citando uma fonte próxima ao assunto, mas sem nenhuma das três confirmações oficiais que a repórter ouvira no dia anterior e retiradas às pressas.

Entre os envolvidos na apuração, ficou a forte impressão de que, ao constatar a trapalhada de comunicação com a língua mole de determinados assessores, ambas as empresas resolveram calar-se.

O suposto oferecimento para a StarComputer e a parceria fechada com a Fast Shop seguem a revelação de que a Apple teria oferecido primeiramente a responsabilidade para o Grupo Pão de Açúcar, segundo seu diretor de comércio internacional, Alexandre Lodygensky.

Assim como os espaços no Extra, parece faltar algo no vazamento de dados sobre a tal Apple Store no Brasil: o envolvimento da própria Apple – é admirável juntar as peças e perceber que a empresa parece oferecer o projeto das lojas como quem tenta se livrar de algo.

Written by Guilherme Felitti

December 18th, 2007 at 7:13 pm

Posted in mercado