sobre o término do mestrado
Acabou meu mestrado. Na sexta-feira, 4 de dezembro, defendi minha dissertação, chamada “Blogues: debates sobre 3 perspectivas e desenvolvimento do fenômeno no Brasil”. Tirei 10, ganhei mais elogios que esperava, respondi algumas dúvidas, acatei a maioria das sugestões, fui recomendado a reutilizar a dissertação em artigos acadêmicos e até mesmo a possibilidade de uma bolsa-sanduíche (mezzo no Brasil, mezzo lá fora) foi aventada para um doutorado.
(Lá no Flickr você pode ver algumas fotos da banca, feitas pelo chapa Melão)
Parece-me que vale a pena abordar alguns pontos após o final do mestrado. No lado das dificuldades, a principal foi a mistura entre as linguagens acadêmica e jornalística. Na hora de escrever os primeiros textos, era inevitável que o formato acadêmico, mais rígido e permeado por citações, se encaminhasse para o jornalístico, principal motivo das porradas (justas, há de se dizer) na qualificação.
Era preciso ficar atento à redação no período entre a qualificação e o depósito, quando a dissertação foi profundamente alterada, ganhando nova estrutura e jogando no lixo grande parte do que havia sido apresentado para a banca. A reestruturação trouxe como consequência direta o fato que, de agosto e outubro, usei praticamente TODO tempo livre que tive para o mestrado. Confesso: não é nada agradável, principalmente às pessoas que te cercam.
Outra dificuldade foi a falta de registro do mercado de internet no Brasil. Contraditoriamente a uma mídia onde guardar cópias (de páginas e documentos) é algo barato, são poucos e mal organizados os registros históricos do mercado online no País, o que inevitavelmente compromete a qualidade das análises baseadas em dados. Tive até mesmo dificuldade de arrumar informações precisas com os portais das suas próprias ferramentas de blog.
Exemplos raros disto são o livro “Os bastidores da internet no Brasil“, do chapa Edu Vieira, e o excepcional artigo “A Evolução das Redes Acadêmicas no Brasil“, de Michael Stanton. O primeiro fala sobre os investimentos que levaram à formação dos players do mercado de internet no Brasil, principalmente os portais, enquanto o segundo se concentra na maneira como as universidades nacionais começaram a se conectar às redes acadêmicas norte-americanas, principalmente à Bitnet.
Além de trocas de e-mails, cafés e mensagens instantâneas com pessoas envolvidas com blogs no Brasil, o terceiro capítulo da dissertação partiu de uma precisa compilação de marcos da blogosfera nacional feita pelo Alexandre Inagaki à revista Época da última semana de julho de 2006. A lista, vale lembrar, serviu de ponto de partida para uma apuração mais aprofundada das categorias que a dissertação se propunha a comparar com os Estados Unidos: ferramentas, visibilidade, pioneiros e adoção corporativa.
A promessa de publicar o PDF na íntegra aqui após as sugestões da banca na defesa não rolará, pelo menos até que alguns (um, dois ou três) artigos acadêmicos sejam adaptados e publicados em congressos, algo que exige ineditismo. Assim que o número estiver fechado e os artigos na rua, o PDF vem pra cá para ser baixado sem qualquer drama sob licença Creative Commons. Há ideia de reaproveitar o conteúdo de outra forma, mas a gente conversa sobre isto mais tarde.
Por fim, assim que saí da banca me lembrei do Piquet falando sobre o que mudou na sua vida após ganhar seu primeiro mundial de Fórmula 1 em 1983. Começa aos 16 segundos.
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Dolemes
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Guilherme Felitti
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Sergio







