Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

a experiência dos e-mails

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Num post sobre os primeiros testes do OpenSocial com Orkut, um leitor do Chá Quente expressou seu espanto: em uma das abasda imagem da rede, meu Gmail aberto dedurava as mais de 5 mil mensagens não lidas. Seis meses depois, o cenário piorou – saltou para quase 9 mil mensagens.

É, minha caixa postal tinha falido. A pasta de entrada de mensagens, que deveria ser apenas um local temporário até que os e-mails fossem encaminhados (deletados, arquivados, respondidos, tagueados), era o destino final de todas elas – quanto mais chegavam, mais eram soterradas sob um volume enorme de mensagens, em sua maioria, nada úteis.

Minha caixa de entrado tinha virado um cemitério, renegando ao esquecimento (somada, evidentemente, pela minha incompetência em organizá-la) pautas para o Now!, assuntos para o Chá, discussões do mestrado e contatos de desconhecidos nunca respondidos. No sábado, gastei as últimas horas de um processo que já durava algumas semanas. Para ressucitar meu e-mail, lá foram algumas medidas que mais têm a ver com organização que propriamente funções tecnológicas no seu serviço de e-mail.

A primeira é se desvincilhar de newsletter que não fazem sentido, deletando todas as não lidas e desassinando o serviço – aí, já foram milhares. Grupos de discussão foram diminuídos de quase uma dezena para dois, restritos a mensagens que resumem todas aquelas trocadas durante o dia. Muitas das mensagens corporativas que recebia, achando que me ajudariam a ficar informado sobre o mercado, foram para o limbo – percebi que me informava sobre o assunto antes pelo RSS que pelo e-mail.

O segundo passo, próprio do Gmail, foi a criação de novas tags e a extinção de algumas que tinham relação com o projeto de conclusão de Jornalismo, em 2004. Tags para trabalho, mestrado, família e amigos e blog foram relacionadas às mensagens numa limpeza mastondôntica que gastou estas horas do sábado – milhares de e-mails foram devidamente arquivados, enquanto a passeadas pelo arquivo indicava novas newsletters que deveriam ser canceladas e contatos que deveriam ser ignorados.

Dos 9 mil e tantas mensagens, tenho hoje 31 no Gmail. Ironicamente, duas análises sobre os problemas de produtividade decorrentes da overdose de e-mail cruzaram meu caminho desde que comecei a me preocupar com minha caixa postal. Primeiro foi a sugestão de um ouvinte do Now! Café sobre o trabalho do Merlin Mann, o responsável pelo site de produtividade 43 Folders. Ele elaborou o projeto Inbox Zero (explicado nesta palestra no Google ), que traz dicas valiosas para quem se vê enterrado na desorganização.

O segundo foi uma coluna (foda, pra variar) do Clive Thompson, na Wired de julho, incensandoo Xobni, plug-in para Outlook que analisa seu comportamento com as mensagens e descobre determinadas regras que podem melhorar o uso da ferramenta – tipo qual o horário em que seus contatos mais frequentes manda, na média, e-mails que envolvem assuntos importantes. Começo a usar esta semana pra ver qualé.

Quer dizer, o algoritmo pode ajudar a identificar comportamentos, não a mudá-los. A tecnologia pode ser um complemente à atitude do usuário à própria organização – ué, não deveria ter sido assim desde sempre?

Written by Guilherme Felitti

August 11th, 2008 at 2:46 pm

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