o diz que me diz do orkut fora do ar
Ninguém escreveu um livro sobre isto (uma pena, tem material para caralho), mas existem algumas características dos brasileiros na internet.
A primeira deriva de uma maneira própria do internauta brasileiro navegar – o Google concentra quase 90% das buscas no Brasil principalmente pela mania nacional de recorrer aos primeiros resultados da lista de determinados termos buscados.
Os brasileiros fazem de posts centros de discussão (ou simplesmente de bater cartão) em determinados assuntos – alguns exemplos, dos mais variados assuntos, estão sendo coletados por este blogueiro para uma artigo acadêmico algum dia. Visite alguns e entenda a questão.
Os salsinhas dominam a internet brasileira e, em muitas ocasiões, não entendem qual a proposta original do post ou as ligações de quem escreveu sobre o assunto abordado – o post da Rebeca sobre as roupas das novelas é extremamente indicativo neste sentido.
Os salsinhas têm relação com a mesma cultura web brasileira, bastante imatura ainda, que coloca o Orkut como fenômeno online nacional em detrimento das funções do Facebook (o assunto tá bem explorado na matéria sobre as razões do motivo do Orkut no Brasil lá no Now!).
E é sobre a penetração do Orkut que este post se trata (porra, de novo, Guilherme?), com relações diretas com uma segunda característica do internauta brasileiro – transformar um determinado local digital em ponto de concentração quando algo maior os impele a tal.
Foi assim com a página de recados do Alemão do BBB e da Katilce do Bono (ambos sem links porque não tem Orkut, ué) e tá rolando agora com o Summize na história do Orkut ter saído do ar para manutenção, segundo o Google, após usuários reclamarem de trocas de contas.
Com um ponto definido, fica muito fácil que um boato ou uma informação nascida da cabeça de algum animal ganhe relevância num grupo histérico por mais informações – o medo causado pelos supostos ataques do PCC à capital paulistana tem aí outra ponta de relação com esta possibilidade da mentira virar verdade numa situação de tensão em que todos buscam alguma informação.
É difícil apontar pelo Summize de onde veio a informação que o Orkut voltará só em setembro. Ou que o Google confirmou que ficará fora do ar até sábado (dizem que é do site Tudo Rondônia, que não tem NADA sobre o assunto – buscaí pra comprovar). Ou que os perfis de fakes estão sendo apagados deliberadamente pelo Google Brasil. Ou que a monga é o macaco de verdade.
Na necessidade de informações, um blog que banque bobagens, como fazem o BlogInternacional e o BlogEmo, vira um ponto de encontro na ocasião, como realmente viraram, com seus quase 2 mil comentários somados em apenas 3 (!!) horas.
A histeria de momentos como este forma um ambiente apinhado de internautas incautos desesperados atrás de alguma (qualquer!) informação onde notícias falsas e totalmente fantasiosas são consideradas e levadas a sério.
Depois a gente ainda tem esperança que o jornalismo colaborativo atinja a massa brasileira além da “sorte” de alguém com um celular com câmera presenciar algo que valha no noticiário. Acho que, por enquanto, não.


Update: a Raquel Recuero, que já tinha um pé no Orkut na primeira explosão da rede social, ilustrou seu post sobre o bleacaute da rede com dois gráficos que mostram a incidência do termo “Orkut” dentro do Twitter.
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