Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

orkut – rogério de paula, antropólogo da intel

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De volta à proposta original deste Chá, segue a primeira de uma tonelada de entrevistas feitas pra matéroa sobre as razões do sucesso do Orkut no Brasil (¨pra quê fazer se é tão óbvio?¨. ué, é mesmo?) que rolou no Now! nesta semana.

A primeira entrevista fica com Rogério de Paula, antropólogo da Intel Brasil. Note que as perguntas foram adaptadas e o texto, digitado a partir de uma conversa telefônica, foi editado para ter um mínimo de sentido e organização.

Em negrito e itálico, anotações deste repórter feitas durante a edição para posterior conferência caso fosse necessária à matéria.

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Quando ouviu pela primeira vez do Orkut?
Parte da minha pesquisa (levada para a Intel Brasil) começou no doutorado com tecnologias para redes sociais, desenvolvida antes mesmo do Orkut nascer. O Orkut apareceu numa comunidade bem pequena que tava ao redor da Bay Area, onde está o próprio Google.

Como eu estava naquela comunidade, recebi um convite. A idéia era uma rede fechada atrair um certo grupo de pessoas e você espera que alguém que você conheça te convide. Comecei a ver este crescimento pra América Latina e Brasil (como?).

Ao mesmo tempo, quando começou a criar massa crítica no Brasil, motivava uma certa competição com os EUA. Acho que foi 23 de junho de 2004 (o dia em que o número de brasileiros passou o de norte-americanos). Foi a primeira vez na web brasileira que havia um site norte-americano com mais brasileiros. Era uma noção não de patriotismo, mas de nacionalidade. como a Danah Boy (pesquisadora de redes sociais em Berkeley) escreveu.

A estrutura do Orkut tem a ver com algum traço da cultura brasileira?
(O Orkut) se integrou muito bem com as práticas culturais dos brasileiros, de querer se relacionar com as pessoas e querer interagir. Ele se tornou muitas ferramentas. Quando estava nos EUA, ele era basicamente uma ferramenta para conectar pessoas conhecidas e em nível profissional. No Brasil, ele virou quase um calendário pessoal, pra saber os aniversários dos amigos.

O Orkut fez sucesso por ser o primeiro a chegar no Brasil, convergindo a cultura brasileira em  buscar a integração entre pessoas. Ao invés de replicar o mundo físico, ele foi instrumento de suporte para que pessoas interagissem facilmente.

Com certeza, ele reflete muito a questão do brasileiro no número de amizades. Então virou um jogo quantas pessoas se tem na rede, algo de valor, embora isto seja algo que não se trabalhe facilmente no dia a dia, já que não dá pra representar. (Esta representação)  emergiu muito no Orkut e não era tão importante lá fora.

O Orkut corre risco no Brasil?

Como o brasileiro já tinha uma certa dominação no Orkut, mudar a prática era muito mais complicado. O MySpace começou num nicho diferente, dentro de universidades, o que levou a representar interesses dos estudantes norte-americanos.

Acho especial como ele se transformou sem ter muitas mudanças na tecnologia. Existem questões interessantes surgindo, como a interface aberta, como as empresas criarão novos produtos, como haverá a exploração por mobilidade. Quando os gadgets móveis entrarem no mercado, vai ser interessante ver como serão integrados às redes sociais. A questão geográfica vai ser bastante interessante – o lugar onde você estiver vai contar muito pras coisas que você fará.

Como a mídia trabalhou o aparecimento do Orkut?

Pra mim, foi a questão da curiosidade. Você tem um site fechado e todo mundo quer fazer parte. As pessoas ficaram curiosas. Como era o primeiro que chegava no Brasil, elas queriam se tornar exclusivas.

A própria mídia reinforçou o Orkut, a partir do momento em que ele se tornou parte. De um lado, a mídia tornou a (penetração) mais aparente, aumentou a curiosidade da população, que não seria atingida pela rede social. Ao mesmo tempo, ela reinforçou a questão da competição e da identidade do brasileiro.

Written by Guilherme Felitti

July 14th, 2008 at 12:29 am

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