a falácia do traffic shaping

A tela acima foi retirada de uma suposta apresentação confidencial bolada pela GVT para ensinar a seus funcionários o que é e como funciona o traffic shaping. O documento completo está em poder de uma das fontes ouvidas para a (longa) matéria sobre traffic shaping publicada no Now! nesta semana e será apresentado ao Ministério Público Federal.
Caso genuína, a apresentação acima contradiz a GVT, que confirmou oficialmente ao Now! não fazer trafic shapping. Problema exclusivo da GVT? Não.
Meus dois centavos sobre a questão: é incrívela riqueza das metáforas que ouvi nesta semana inundada pelo assunto. Foram o sistema financeiro, overbooking de avião, litros bebidas (refrigerante e leite são os mais comuns), carros de Fórmula 1 e por aí vai.
Sejamos diretos. Juridicamente, as operadoras estão erradas em limitar sua banda? Não. Os contratos são claros – ela garante apenas uma porcentagem (10%, na média) da banda contratada.
Você pode fazer quanto bico quiser, mas, se sua velocidade for 11% do contratado e sua assinatura estiver no contrato, a provedora não fere a lei. Comparar com o mercado internacional não vale – os investimentos em infra-estrutura de banda larga nos EUA e no Japão, além de infinitamente maiores que no Brasil, contam com incentivos do Governo.
Moralmente elas erram? Sim, principalmente pela falta de transparência no trato com o cliente. Nenhuma delas falou para a matéria sobre traffic shaping, mas, para o FAQ sobre banda larga, um executivo da Net classificou a acusação como “falácia”.
O Michaelis (o Houaiss tá fora do ar desde ontem, merda) classifica “falácia” como “engano, logro”, exatamente o que a Net (assim como todas as operadoras que comprovadamente apelam para a prática, mas negam) faz com quem compra um acesso e tem de enfrentar uma barreira de atendentes no telemarketing para simplesmente reclamar.
A omissão da operadora desde as primeiras reclamações de usuários fez com que estes se organizassem de uma maneira que qualquer confissão da prática não apenas mancharia a imagem da empresa para a opinião pública, como também a tornaria alvo certeiro de ações de Procons e Idecs da vida.
Então abrir protocolos de reclamação para sempre na Anatel é o caminho? Também não. É incrível que, na briga entre operadoras que calam e usuários que armam um fuzuê em redes sociais e comunidades de vídeo, a agência responsável por regulamentar as telecomunicações brasileiras se omita.
Por dificuldades técnicas enfrentadas pela própria Justiça nacional em aferir tecnicamente o bloqueio (que pode ser facilmente relaxado pela operadora na região onde a conexão é testada), a briga deve continuar a mesmo enquanto a Anatel não entrar na briga.
Enquanto isto, recorrer aos tutoriais espalhados pela internet ou baixar o plug-in Vuze para o Azureus não custa nada. Reiterando: se as operadoras juram de pés juntos que não fazem, não vão se incomodar.
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gfelitti
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Eduardo
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Rodrigo





