03/04, um dia musical
Hoje foi dia de música digital. Primeiro, o balanço do setor no Brasil em 2007 pelas mãos da ABPD.
Finalmente, a sisuda organização (isto vale resposta mal-educada de assessor?) contabilizou a receita de música digital no país entre seus resultados. Os números, não precisa falar, são aqueles: crescimento explosivo da e-música (faturamento 185% maior) e mídias físicas ladeira abaixo (faturamento 31,2% menor).
Até mesmo pelo ataque que Paulo Rosa, presidente da ABPD, faz ao P2P e mesmo ao encalhe de CDs, algo que supostamente ajudou na queda de preços das mídias (não seria o contrário?), nada de surpreendente. O que faz o queixo cair, na real, é perceber como o gosto médio do brasileiro que consome os disquinhos, aqueles que sustentam o mercado fonográfico nacional, é completamente diferente do que a galera ao meu redor (e talvez ao seu também) gosta.
Não que seja fato nova – mas é sempre bom ver Padre Marcelo Rossi, Ivete Sangalo, Cesar Menotti & Fabiano, Ana Carolina, Jota Quest, Kid Abelha e Bruno & Marrone, muitos em CDs gravados há até 5 (!!) anos, ali nas primeiras posições entre os mais vendidos. Enquanto o download explode, o gosto explicitado no ranking deixa claro que a venda de discos ainda está relacionado com aquela inércia de quem tem a música empurrada pra si, não que vai buscar o que quer.
Segundo, pelo MySpace Music, já em rumores há meses. O que mais supreende é que não se trata de serviço: é uma empresa nova formada pela maior rede social do mundo e por 3 das 4 maiores gravadoras do planeta. É negócio, com CEO e conselho próprios. As brigas que a Universal travou com a Apple deixa claro que, se a venda pegar rabeira na popularidade do MySpace, o iTunes vai sofrer uma pressão foda, certo?
Por mais que dê vontade de dizer isto, não deve ser gostoso as gravadoras verem que o killer é anunciado no dia em que o iTunes assume a liderança no de venda de música no mercado norte-americano, a terceira notícia do dia. Nem as (tentadoras) prateleiras abarrotadas de discos em Wal-Marts e Best Buys foi suficiente para frear as 4 bilhões de canções vendidas que levaram o iTunes à liderança- ok, concordo com o Engadget que tem muito vale-presente de Natal aí no meio, o que pode ter levado muito não-usuário a comprar e nunca mais voltar.
Ainda que rolem brigas, as gravadoras não largam da Apple pela popularidade do iTunes. Se o MySpace Music ganhar tração (e o Facebook pode levar isto como exemplo), salpicada por alguns dumpings que só os donos da música podem se dar ao luxo de oferecer, é possível que alguns catálogos caiam fora do iTunes. Ainda assim, quem seria bobo de ficar de fora de iPods e iPhones da vida?
A ABPD citou pela primeira vez ganhos com outros ganhos que não só os CDs (um assunto aventado pra caralho há tempos), mas ainda não mede tal – parece mais tratar do assunto com desprezo por obrigação do que pela visão de oportunidades futuras do setor. A APCD, por acaso, considera os CDs gravados pela Calipso e vendidos em portas de show como legais? Não.
Então porque ligar? Você continua consumindo sua música no Brasil sem qualquer empecilho. E não é de uma hora pra outra que todas (TODAS!) as entidades que mexem com música no Brasil mudariam suas cabeças e encarariam a parada de frente.





