mestrado: há, finalmente, uma proposta
Quinze meses após a entrega da proposta original (e algumas ruminações depois), há finalmente um novo objeto de estudo para este mestrando. Decidi: a tese vai estudar possíveis modelos comerciais empregados pelas empresas da chamada Grande Mídia para remunerar a produção de conteúdo amador com valor jornalístico.
Quer um exemplo claro? O material amador mais valioso da história é a tomada de 26 segundos feita pelo comerciante ucraniano Abraham Zapruder da visita do presidente John Kennedy a Dallas em 22 de novembro de 1963.
No 17º segundo, a a bala atirada por Lee Harvey Oswald entra na cabeça de Kennedy, produzindo um borrifo de sangue, um instante de choque na 1ª dama Jacqueline Kennedy e sua conseqüente morte.
Trinta e seis anos depois, o filmete feito por Zapruder em uma Böwe Bell & Howell, tanto pela qualidade da imagem, feita em ângulo ideal, como pelo valor histórico, foi arrematado pelo governo-americano por 16 milhões de dólares.
Seja pela explosão na penetração de aparelhos que capturam imagens (e aí você coloca celulares, câmeras fotográficas e filmadoras) ou pelo altíssimo impacto político que significava um presidente norte-americano morto em frente às câmeras, é improvável que um material amador de novo valha tanto como o feito por Zapruder.
Por outro lado, começam a pipocar na internet serviços que se posicionam como agências de notícias (e, principalmente, fotografias e filmetes) amadoras. Há uma evidente importância do fenômeno na indústria das celebridades – a presença de uma estrela de cinema no mercado dá mais cliques (e, conseqüentemente, rende mais dinheiro) que uma batida de carro.
A tese há de se concentrar no conteúdo amador com valor jornalístico e exemplos recentes não faltam pela mídia brasileira. Da foto da explosão de um andaime que parou na capa da “Folha de São Paulo” aos filmes curtos e de péssima qualidade feitos com celulares que sustentaram uma audaciosa matéria no Fantástico (já não disponível online, sabe-se lá porque).
Da foto da explosão na Usina Elevatória de Traição que supostamente causou um blecaute na Zona Sul paulistana em fevereiro às imagens de casas pegando fogo na Zona Norte após a queda de um avião de pequeno porte que arremetia do Campo de Marte.
Evidentemente, estamos falando de negócios já estabelecidos, principalmente na combinação “publicidade+assinatura” para impressos e “investimentos do grupo detentor+publicidade” entre os portais. Há como imaginar uma agência de notícia amadora no Brasil que se estruture de forma a alimentar jornalões, portais e programas de TV?
Há material suficiente para justificar a formação de um grupo que centralize a tentativa de divulgar conteúdo amador de relevância jornalística? Se este grupo for formado, quem garante que alguém não vá procurar grandes conglomerados diretamente? Considerando-se que haja massa crítica, como ganhar dinheiro (propaganda parece uma possibilidade complicada de se considerar)? Quem deve receber mais: o jornalista amador ou o intermediário?
Na tentativa de responder estas perguntas (e se deparar com tantas outras), entra o modus operandis do OhMyNews, os objetivos de projetos como o CitizenSide e o 8020 Publishing, assim como a listagem de outros aproveitamentos de conteúdo amador pela Grande Mídia brasileira, entram na roda.
Burocraticamente, o curso está trancado até o segundo semestre. Isto faz com que, até julho de 2009, as atualizações rolem por aqui.






