Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

a fé de trent reznor na música digital

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Trent Reznor já tinha passado por uma experiência nada boa com a divulgação de músicas online com um modelo bastante maleável pelo usuário. Entre a versão gratuita e a custando US$ 5 dólares do disco de Saul Willians The Inevitable Rise and Liberation of Niggy Tardust, menos de 20% escolheram pagar pela segunda, que tinha melhor qualidade.

E, contra todas as evidências, veio Reznor de novo, oferecendo uma nova coletânea instrumental do Nine Inch Nails, chamada Ghosts I-IV, sob a licença Creative Commons – o Ghosts I é gratuito, enquanto US$ 5 valem o download de quatro discos e dois CDs com livreto saem por US$ 10.

Desta vez, Reznor colocou na roda também duas versões luxuosas do disco, nos mesmos moldes do que o Radiohead fez com In Rainbows. Todas as 2,5 mil edições mais luxuosas (US$ 300 cada) se esgotaram em um dia. Pro bolso do Reznor, foram US$ 750 mil, fora a quantia doada (é, faz sentido) pelos fãs no download digital ou na compras das outras versões físicas, algo impossível de precisar a não ser pelo próprio Reznor.

É difícil também dizerm no absoluto, se a grana é muita – alguém aí sabe quanto o cara gastou pra produzir o álbum? Só que não é fácil adivinhar que, mesmo com um belo abatimento entre custos de gravação, produção e fabricação dos álbuns, o que chega limpo pra Reznor deve ser mais que os centavos que artistas se acostumaram a receber de gravadoras – preciso apurar melhor, mas 10% parece ser um número recorrente, ainda que existam flutuações.

Reznor também está na linha de frente de usar jogos imersivos, uma maneira ainda bem incipiente de explorar o conceito de realidade expandida, misturando pistas no mundo real e na internet, para envolver fãs e ajudar na divulgação do teu último álbum, Year Zero, culminando em show secreto pra cambada que montou as dicas – a Wired explica com detalhes.

Problema é que nem todos são como os fãs que montaram o quebra-cabeças e viram Trent tocar músicas inéditas então cercados por um ambiente forjado. O experimento de Reznor (e do Radiohead e do The Charlatans) bota o holofote sobre o usuário – depois de reclamar tanto do preço dos CDs, da opressão de gravadoras e da tática do medo de RIAA e similares, pagar US$ 5 está longe de ser algo impossível, certo?

A se julgar pelas redes torrent, salpicadas com a versão quádrupla (e paga) do novo disco, errado.

Written by Guilherme Felitti

March 5th, 2008 at 11:23 pm

Posted in cultura,internet

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