o soluço do google em publicidade
Na semana passada, a comScore assustou metade do mercado mundial de internet alegando que a taxa de clique da plataforma AdSense, do Google, entre usuários domésticos nos EUA tinha se mantido estável em janeiro, quando, no quarto trimestre de 2007, os números tinham aumentado 25% sobre os do terceiro.
Foi o suficiente para que um setor exageradamente apoiado em uma mesma plataforma de publicidade cogitasse que o juggernaut não era tão imune assim à crise da economia norte-americana motivada pelo setor imobiliário – por mais que as análises se concentrassem mais na histeria da falibilidade do Google do que em razões que ligariam uma taxa de cliques menor com problemas no subprime.
Segundo a lógica do AdSense, uma queda no número de cliques no anúncio significa que tanto o Google como blogs e sites dentro da rede AdSense recebem menos dos anunciantes – a cada clique e dependendo da palavra-chave usada para embaralhar os anúncios, pinga uma moedinha nos cofres de sites e do Google.
Na sexta, talvez pressionada por uma reação do mercado inesperada, a comScore publicou uma análise esclarecendo que, por mais que não confirmadas, as quedas podem ter relações com alterações de qualidade impostas pelo Google em seus anúncios, com áreas menores para clique, embora não descarte a possibilidade da desaceleração da economia atingir a publicidade online.
Os números de publicidade online são estonteantes. Em 2007, foram US$ 21,1 bilhões de dólares em todo o mundo, num mercado dominado pelo Google – por mais que as métricas não permitam uma comparação direta, o buscador detém entre 56,5% e 75% da publicidade online nos EUA, segundo eMarketer e Oppenheimer & Co.
Defensor da tese das mudanças na área de clique dos anúncios, promovida em novembro, o blog SEO BlackHat (via TechCrunch) aposta que as alterações diminuirão o foco no número de cliques em nome do valor dado a cada um deles – na hroa do ajuste, anunciantes pagarão mais para um anúncio que, efetivamente, leve interessados a seus sites, e não pára-quedistas.
O efeito é semelhante ao argumento usado pelo Comitê Gestor da Internet pra explicar o engasgo que o registro de domínios deu em 2002 e 2003 no Brasil – a limpeza de endereços não usados não compensava o número de novos, o que indicava uma possível queda quando o mercado ainda crescia.
O ajuste, como qualquer alteração que o Google promove na caixa opaca que é seu PageRank (tanto a busca como os anúncios dependem do algoritmo), deverá deixar milhares na mão sem alguns dólares a mais na conta.
O assumido interesse zero do Google em fornecer detalhes sobre estas alterações faz com que consultorias com credibilidade mínima (a comScore tem um bocado, principalmente em buscas) sejam ouvidas com atenção e receio pelo mercado – não dá pra não relacionar a história do Engadget e o atraso do iPhone.
Quando um mercado depende demais de apenas um, qualquer suspiro do gigante, mesmo que alardeado por terceiros, é razão pra preocupação. E isto é bastante preocupante. Ou como Scott Karp resume num artigo bastante sensato, embora exagerado em alguns pontos.
“(…)when gravity kicks in, it’s not like water rolling down a hill — it’s like Wile E. Coyote realizing there’s no more cliff underneath him. “






