Pierre Lévy e seu momento leão da montanha
No meio da palestra de Pierre Lévy em São Paulo, na noite desta quinta-feira (16/08), me lembrei do Spiral Frog. O serviço montado pela gravadora Universal propôs distribuir MP3s gratuitos com a inserção de propagandas sonoras.
(Me lembrei também que esqueci de blogar a saída do CEO do Spiral Frog, o que colocou o serviço em xeque, mas isto não é surpresa nenhuma pra leitores {?} deste blog).
Foi isto que a Telefônica fez – para ouvir o filósofo falar, era preciso enfrentar discursos longos e nada objetivos sobre projetos de inclusão digital promovidos pela operadora no Estado de São Paulo.
O desconforto de Lévy era evidente. Entre risinhos nervosos e um claro sadismo, o filósofo respondia às perguntas de engravatados ligados à Telefônica sem qualquer informação que qualquer iniciado à internet não soubesse.
Um minuto para contextualização. A PitchFork Media foi celebrada na Wired por não mostrar respeito a figurões da música e estampar zeros na testa de caras como Kiss ou Sonic Youth. (Aliás, a gente ainda continua a se ajoelhar pra uma revista impressa. Estranho).
Este é meu momento PitchFork. Lévy está lá citado no meu projeto de pesquisa, alguns dos seus livros estão sendo enfrentados para o mestrado e seu nome é constante em certas aulas. Mas a palestra foi de uma decepção ferrenha com a figura do cara que adiantou (segundo ele mesmo) o conceito de construção coletiva de conhecimento há décadas.
Havia um evidente desconforto também pela elevação de Lévy ao pedestal dos gênios, mesmo com respostas básicas, evasivas e repetitivas, por um público claramente a quilômetros de distância da molecada que não apenas vive na internet, mas é a própria internet.
O Leão da Montanha dava suas respostas curtas, genéricas e que não explicavam quase nada e a multidão delirava de uma maneira polidamente acadêmica.
Pensei num laboratório – enquanto a molecada está construindo uma comunidade digital que envolve redes, comunidades, games e o cacete lá dentro, há um grupo da velha guarda que, de fora, segura o queixo com a mão e analisa um grupo que não entende.
E dá-lhe perguntas sobre como montar uma rede pedagógica que atraia tanta atenção como Orkut e MSN ou receios sobre o papel do professor num ambiente onde não é necessária a presença física.
Tal qual a viagem lisérgica de Douglas Adams e sua “resposta à vida, ao universo e tudo mais“, Lévy era uma espécie de Oráculo que se teletransportou à rechonchuda cadeira de couro preto para dar respostas mágicas sobre as dúvidas de professores.
O problema talvez não fossem as respostas, mas as perguntas, superficiais, genéricas e proferidas por gente que parecia mais preocupada em se fazer notar e questionar o tal filósofo.
Resolvi ir embora quando perguntaram se a internet mataria a universidade. Ainda na porta, ouvi Lévy rir de novo com escárnio e falar, numa espécie de “como assim?”, que a rede tinha nascido NA universidade. Nada novo, de novo.
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Wolney
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