Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

um dia com o ClassMate PC

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A promessa tava feita, mas demorou. Finalmente, taí embaixo, na íntegra. Dúvidas, pedradas ou elogios, grita.

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Não adianta: você bate o olho no ClassMate PC e te dá uma síndrome de Gulliver. A impressão não é falsa – o notebook educacional da Intel, revelado pelo todo-poderoso Paul Otellini em visita ao Brasil, não passa de um notebook convencional com dimensões diminuídas.

Uma mea-culpa: graças a Marfan, minhas mãos estão longes de serem pequenas. Mas lidar com um Windows, já formatado para telas mais amplas, num teclado onde sua unha (só sua unha!) resvala em 3 teclas por dígito é algo beeeeem desconfortável.

Mesmo. É inevitável não torcer o bico ao perceber que, numa provável pressa para competir com o notebook de 100 dólares de Nicholas Negroponte, a Intel usou o mesmo raio usado por Wayne Szalinski pra diminuir seus filhos e dos vizinhos em um notebook.

A pressa, entenda, afeta um pouco a usabilidade e isto está longe da militância. Mãe do projeto, a organização OLPC desenvolveu uma distribuição própria de Linux que tem, como principal mérito, seu sistema gráfico – as interfaces são grandes e os botões, fáceis de serem achados.

A ferramenta de restrição à internet, originalmente prevista para que professores bloqueiem conteúdo impróprio para alunos, torna a configuração da rede sem fio quase impossível. Um cabo Ethernet e a internet rola – 1ª constatação: o Chá fica apertado.

Num ímpeto meio suicida, resolvo escrever uma nota para o Now! no ClassMate. As frases saem fácil, mas os dedos não acompanham. As letras no bloco de notas se tornam quase pontos e aquele movimento de franzir os olhos se torna constante.

A constante correção irrita. Corrijo. Não acho os ícones no menu Iniciar. Franzo ainda mais os olhos. Tenho em mente que o ClassMate é infantil, para dedos três vezes menores que os meus. A nota acaba e vai pro ar. A paciência também.

As distribuições de Linux que estarão no ClassMate em testes nos colégios Don Alano, em Palmas (To), e Professora Rosa da Conceição Guedes, em Piraí (RJ), têm fortes semelhanças com o Windows – vide o Mandriva Linux 2007 ou o Metasys.

O ClassMate é mais pesado que o XO, mas é bem verdade que também mais rápido (900 Mhz contra 433 MHz) e tem o dobro de memória (2 GB contra 1 GB). Mas qualé o grande foco desta iniciativa em dar notebooks para as crianças: a potência ou o preço?

O preço inicial do XO é de 175 dólares. No Brasil, a CCE já trabalha com previsão de preço de 900  1.100 reais para cada ClassMate. Coloque mais um punhado de inovações, como rede Mesh e uma tela com brilho sensível a ambientes, e a simpatia do Governo na conta daquele e você tem sua equação.

Update: Este é um apanhado de impressões de um repórter que acompanha o desenrolar da novela de notebooks educacionais no Brasil e que está pouco interessado nos transistores usados na placa-mãe do ClassMate.

Se é este tipo de informação que você procura, vai na onda do geek-mor Mário Nagano, que destrinchou o notebook da Intel enquanto estava na PC World.

Written by Guilherme Felitti

July 6th, 2007 at 2:03 am

  • Rodrigo
    eu acho uma palhaça eles tentarem competir com a OLPC, eles nao estao interessados na educação das crianças, e sim vender um notebookzinho de merda rodando windows (ou um linux com interface parecida) e tentar encher o ** de dinheiro... fora ser mais caro...

    espero q o governo fique do lado da OLPC e sua interface customizada e pensada desde o inicio para as crianças.
  • Sem dúvida, Paulo Rodrigo. Por isto o "Tenho em mente que o ClassMate é infantil, para dedos três vezes menores que os meus".
    Abraço,
  • Será que o teclado não é pequeno por que foi feito para crianças? Eu prefiro o notebook do Negroponte.
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