Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

Donato e o Municipal na Virada Cultural

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Depois que o PCC afugentou os paulistanos em 2006, a Prefeitura elaborou uma excelente programação para sua Virada Cultural de 2007, com um destaque fodido: o Teatro Municipal receberia, durante a madrugada, artistas tocando na íntegra discos clássicos da MPB.

Foi lá que João Donato, o cara mais sofisticado da bossa nova que você não conhece, foi tocar, mais ou menos inteiro, seu “A Bad Donato”, de 1970. O show começava às 21h e, cinqüenta minutos antes, a fila estava na face direita do teatro -percorri seus quatro lados até chegar à porta.

A entrada foi rápida e, sinceramente, puta coisa bonita (e apertada, por dentro) que é aquele teatro durante a noite. Fiquei no último andar, já que uma cambada bem mais esperta que eu chegou cedo pra pegar a platéia da frente.

E daí? Donato entrou poser, com capuz e óculos escuros. A banda era a mesma que tocou no Auditório Ibirapuera, mas nada de “A Bad Donato” na íntegra. No show, Donato mostrou como transformou o chopp aguado da bossa nova em jazz lisérgico brasileiro.

As introduções eram as mesmas, com cada música solando por longos minutos até que a entrada fosse reproduzida para finalizar a canção – jazz, ué.

O vídeo abaixo (opa, vou receber carta de “cease-and-desist”?) é de Mosquito, a mais fodida do disco, e se estende até o belíssimo solo de trombone do Bocatto.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=9zfJz8KRJ_I]

Poupei sua paciência para o solo poser de Donatinho, o filho do pianista. Donato desempenhou muito bem papéis como música, ritmista, arranjador e instrumentista, mas falhou como pai: Donatinho toca pouco (fica mais plugando cabos), coloca texturas eventuais nas músicas, faz poses na frente do palco e ainda fica abrançando músicos após solos comose dissesse “tá certo, um dia você chega lá”.

Não rolaram todas as músicas e ainda teve inéditas – “Black Orchid”, de um compositor finlandês (dinamarquês?) que Donato mastigou o nome. Sem problema.

Update: Nos comentários, Menotti, que também desceu o pau em Donatinho no seu Atonal, replica nos comentários que “Black Orchid” é do arranjador latino de jazz Cal Tjader. Bebi então.

O show foi antológico pela mistura entre a ótima música tocada por músicos excepcionais e pelo lugar e o horário – saímos do Municipal às 22h00, enquanto uma fila gigantesca para ver João Bosco (URGH!!!) se desdobrava até a estação Anhangabaú do metrô.

Uma passada no Estadão para um pernil com provolone, Clube do Balanço chamando Erasmo Carlos para uma ótima jam e um copo de quentão (com muito gengibre e pouco álcool) fecharam a noite.

Não vi a milonga no Mercadão (puta idéia sensacional!) nem os Racionais (uma pena mesmo). Pena.

Written by Guilherme Felitti

May 8th, 2007 at 3:04 am

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  • Ih, Inagaki, eu entrei na fila faltando 40 minutos pro show. Muitas das pessoas na fila estavam esperando o Bosco - no fim, elas ficavam paradas, enquanto a gente avançava pro Teatro.

    Corrigido, seu Menotti. Valeu!
  • Invejei, invejei. Passei em frente ao Municipal faltando meia hora para começar o show. Vi a fila e desisti. :(
  • Felitti, rapaz, só para constar: "Black Orchid" é um tema clássico do Cal Tjader, um músico animal de jazz latino. Só que, até onde sei, o cara nasceu nos Estados Unidos... rs. Postei lá no blog, depois vai ver. Abraços!
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