Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

o peer-content chega à grande mídia nacional

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O Peer-Content (ou user-generated content), designação para o conteúdo feito pelo usuário cunhada pelo editor da Wired e formulador da teoria da Cauda Longa, Chris Anderson, finalmente chegou à grande mídia brasileira.

A estréia aconteceu no Fantástico do último domingo (04/03) com uma matéria jornalisticamente ousada que explicava a bala perdida em Moema que deixou a estudante Priscila Aprígio paraplégica no começo de março.

Se qualquer narração em off, a notícia enfileira depoimentos colhidos com colegas e parentes de Priscila, assim como seu próprio desabafo após a apuração que lhe tirou a bala da coluna, com cenas feitas por usuários que presenciaram o tiroteio.

As cenas chocam de tão brutais: Priscila está caída no chão, com a blusa branca empapada de sangue bem no centro das costas pelo tiro que levou – o que levou telespectadores a questionar os métodos da Globo.

Ok, ok. O desabamento do metrô já havia explorado o artifício, com o vídeo do caminhão caindo na cratera, feita por um funcionário do prédio da Abril, reproduzido exaustivamente em programas jornalísticos.

O vídeo, porém, não era a essência da matéria – acrescentava uma cena importante, sim, mas não essencial.

Aparentando terem vindo de diferentes usuários, os vídeos mostram Bruna caída sozinha e, momentos depois, policiais conversando com a menina.

O uso de conteúdo presenciado por usuários não é novidade na grande imprensa – basta lembrar o vídeo que registra o tiro levado por Kennedy ou a única foto feita da queda do Concorde, em 2000.

A popularidade de gadgets (celulares, principalmente) capazes de filmar e fotografar, porém, tornam a inscidência deste conteúdo imensamente maior, a ponto de permitir registros mais freqüentes do que a mera sorte de ter uma câmera em mãos no momento ideal.

Diversos sites brasileiros já exploram o fenômeno – o Estadão tem o seu FotoRepórter, o Terra tem o vcRepórter, enquanto iG e G1 pedem colaborações eventuais, sem qualquer programa fechado (sentiu falta da Folha ou do UOL?).

Num excelente artigo para a Slate, Michael Agger enumera todas as conseqüências – principalmente, maléficas – do fenômeno.

Written by Guilherme Felitti

March 11th, 2007 at 1:12 am

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