do jornalismo de tecnologia brasileiro
Em uma conversa sobre o mercado brasileiro antes da coletiva, o executivo Hiroshi Kishima, gerente de produtos da Semp Toshiba, me interrompeu para perguntar se eu conhecia alguém do “Estadão online” (as palavras são dele).
Disse que sim, mas só de vista. Perguntou então se eu tinha vazado alguma informação ao veículo, supostamente concorrente. A evidente resposta era não.
Kishima afirmou achar estranho então que a mesma notícia sobre o lançamento do primeiro tocador no formato HD-DVD da empresa tenha sido remarcada para o primeiro semestre deste ano, sendo que a única entrevista que ele havia dado sobre o assunto foi para mim.
No site do Estadão, está a prova para o estranhamento de Kishima.
No mesmo dia 18 de janeiro em que a notícia do Now! foi publicada, Alexandre Barbosa, que estreou um recente blog no portal, assinou nota citando o atraso do player HD-A2 e sua provável chegada ainda no primeiro semestre.
A notícia do Estadão, diz o horário, subiu às 16h54. A original do Now!, 11h38 do mesmo dia 18 de janeiro.
(Caso a notícia seja apagada, cá está uma boa e velha captura da tela, feita na noite desta terça-feira, 6 de fevereiro – clique nela para ler)

Voltei a perguntar com quantos jornalistas ele tinha falado sobre o assunto até então, e Kishima voltou a citar apenas meu nome.
Tente entender: não foi o jornalista que enquadrou a fonte sobre uma possível entrevista do concorrente. Foi o próprio executivo que se revelou surpreso ao dar apenas uma entrevista e ver duas notícias com teor idêntico.
No jornalismo online, é normal que um veículo dê uma notícia antes e que seu concorrente não a descarte por questão de importância. Apura-se a nota de maneira decente e se publica. Aqui, o próprio executivo nega a apuração.
Na real: não me assustaria a cópia de notícias por sites concorrentes (é péssimo ficar calejado neste aspecto), mas me surpreende demais um executivo chamar a atenção para do jornalista que publicou a notícia originalmente sobre o caso.
E não o contrário. Estranho este setor do jornalismo brasileiro que cobre tecnologia – na minha terra (ou em qualquer outra), isto se chama outra coisa.
Update: Agora é novembro e a notícia saiu do ar. Mas o printscreen acima é nosso pastor e nada nos faltará.
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