Archive for December, 2006
o cheiro de vaporware da AMD
Nem bem o PIC foi enterrado, a AMD trouxe um VP de marketing ao Brasil alardeando que prepara uma “plataforma de inclusão digital” para o começo de 2007 que baterá de frente com o ClassMate PC, a começar pelo Brasil.
No mesmo evento, a AMD premiou o projeto brasileiro e-Cipó como melhor projeto para inclusão digital. A fabricante comprará os direitos de 12 estudantes do Centro Universitário Positivo, em Curitiba, para explorar a idéia de internet pela televisão.
Alguma coisa não bate, caro leitor. PIC descontinuado, direitos de exploração do e-Cipó comprados e plataforma para bater de frente com o ClassMate, ao mesmo tempo em que a AMD suporta o OLPC (não custa lembrar que o chip do XO é dela) ?
A notícia me cheira a vaporware – termo do meio jornalístico para designar um boato deslavado.
A AMD não confirma dados do rival do ClassMate, mas já deixou uma péssima imagem ao afirmar que o PIC foi descontinuado por que a empresa já havia “aprendido sua lição”.
Veja, não é ranzinzice da minha parte. Espero morder a língua no começo de 2007, principalmente se o projeto for pra frente.
entrevista especial: Jimmy Wales, fundador da Wikipedia
Versão integral da entrevista com o Jimmy Wales, fundador e até então presidente da Fundação Wikimedia, responsável pela Wikipedia. Além de mais longo que a versão do Now!, o texto tem muitoas das informalidades do boa praça Wales que a formalidade obriga a gente tirar. Sacumé…
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A Wikipedia é baseada na construção coletiva de conteúdo, com a colaboração de milhares de usuários sobre um mesmo assunto.
Esta construção tem seus benefícios, como amplitude maior de fatos, e desvantagens, liderados pela falta de precisão na publicação de dados. Informações da revista Business Week Information Week afirmam que metade dos 40 mil artigos criados diariamente são deletados por não estarem exatamente corretos. O que a Wikipedia tem feito para diminuir esta taxa?
Sempre que uma informação é publicada, nós decidimos se ela está boa ou não. Mas posso dizer que este volume impreciso não chega a ser um problema, já que podemos apagar todos os verbetes com este problema em apenas dois segundos.
A maioria das páginas que são deletadas foram feitas para simples testes de sistema ou por novos usuários que ainda não entende como funciona a publicação de conteúdo na Wikipedia. Entre os principais problemas que enfrentamos, esta “limpeza” já virou algo corriqueiro e quase automático.
Quais são, então, o principal problema para a Wikipedia?
Acho que seriam questões editorais mais tradicionais, que qualquer tipo de publicação enfrentaria, como possíveis melhorias na qualidade do trabalho pelo tempo para que usuários finais cheguem e encontrem na Wikipedia o melhor material possível.
Para este fim, estamos experimentando um novo sistema de “flags”, a ser lançado primeiramente na Wikipedia em inglês, para identificar os melhores artigos e ter certeza de que serão encontrados pelo usuário mais facilmente.
Esperamos que a novidade funcione como uma indicação dos melhores artigos para que usuários tenham moldes para se espelhar na criação de novos artigos.
A questão da imparcialidade por parte de usuários quanto à publicação de conteúdo também preocupa a Wikipedia?
Esta é sempre uma questão sobre a qual estamos trabalhando constantemente. Pelo tempo, descobrimos que a comunidade madura da Wikipedia escreve artigos neutros naturalmente.
É claro que existem problemas com uma porção dos usuários, mas atingimos um ponto mínimo (de parcialidades) nos últimos meses. Evidentemente, não existe uma solução mágica.
Em qualquer veículo de mídia, quem escreve precisa estar ciente sempre da possibilidade de permitir sugestões e mudanças que tornem o texto melhor e mais justo. Com temos esta preocupação, posso dizer que a imparcialidade é um dos atuais méritos da Wikipedia.
do youtube/google: o Vista é cópia do Mac OS X, Pogue?
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QT6YO30GhmQ]
David Pogue, o excêntrico colunista de tecnologia do NYTimes, desfila toda sua acidez para provar que o Windows Vista não tem relação nenhuma com Mac OS X – ou, como diz o próprio, que “a Microsoft não é uma velha máquina de cópia que fica sentada em Redmond se idéias próprias”.
Nocaute.
Update: O NYTimes só permite a visualização no próprio site do YouTube. Clique sobre o vídeo ou vá pra página do Pogue no site do jornal para ver o vídeo.
a frase de Bob Pisano em ovos

A frase acima, publicada primeiramente no Chá Quente em 21 de outubro e veiculada entre as “10 melhores frases do ano de TI” pelo Now!, consta no caderno desta quarta (27/12) do Folha Informática.
Apenas de vista (sem piadas com o Windows, por favor), conheço dois jornalistas da Folha, de saber indicar na multidão. Tenho plena certeza de quem nenhum deles estava no encontro com Bob Pisano, no Hotel Transcontinental em São Paulo.
A entrevista coletiva, vale frisar, foi feita totalmente em inglês – a livre tradução para o português usada pelo jornal é a mesma do Chá e, conseqüentemente, do Now!.
Na mesma lista de frases da Folha(precisa de senha), consta também uma de Richard Stallman, falada aos quatro ventos para quem quisesse escutar – mas também presente na relação do Now!.
Coincidências podem ocorrer – o destino tem destes caprichos. Mas, sem falso moralismo, me surpreende saber até onde o Chá Quente chega.
6 perguntas para Paulo Rosa, presidente da ABPD
Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Discos (a RIAA brasileira), comenta os 20 primeiros processos contra usuários brasileiros de redes P2P.
Como vai se desenvolver ataques legais no Brasil?
A estratégia não é diferente da empregada em outros países. Agora, o problema do compartilhamento de arquivos no Brasil é muito grande (pra ser ignorado). O 1,1 bilhão de músicas baixadas no Brasil em 2005 representa quase 5% do mundo todo, o que coloca o país em evidência – é o 10º do mundo.
No mais, a dimensão do problema é contastada exatamente no momento em que o mercado de música online começa a decolar no Brasil. Já temos 12 lojas virtuais para compra – as mais recentes foram da Warner, UOL e Terra. A gente vê que este mercado começa a despertar interesse.
Existe também esforços das companhias locais para que as lojas oferecem o maximo de conteúdo e correspondam a anseios (dos usuários). O Brasil deicidiu se juntar à campanha por conseguirmos ver o problema do compartilhamento (ilegal no país).
Estes 20 primeiros processos serão isolados?
Não achamos que as 20 ações vão resolver o problema. Este projeto tem caráter permanente. Vamos acompanhar as próximas ondas da International Federation of Fonographic Industry (IFPI) com mais processos judiciais. (Fora a grana), é mais importante essa mensagem do medo que é mandadarepassada para os usuários.
Mas a maioria destas lojas (são 24 os parceiros de distribuição da plataforma iMúsica) está ligada ao iMúsica…
O fato de usar plataforma do iMúsica não significam que seja o iMúsica. Se você acessa a loja da Warner, você está na loja da Warner. No México, existem duas. No Brasil, temos 12 (de novo: só 3 são únicas).
do youtube/google: mc reizinho
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=aDOKD9RcqY4]
Antes de xiar com a (potencialmente) ótima biografia, Roberto Carlos cantou, à sua maneira, a melhor música do verão passado – a fodona “Se ela dança, eu danço” – para seu especial de fim de ano.
Mais pela curiosidade que pela qualidade, pra esclarecer. Tungado do Trabalho Sujo.
a milionária do Second Life fala
Ailin Graef, a esperta chinesa que acumulou um 1 milhão de dólares reais vendendo terrenos e casas de luxo no mundo virtual, tece a estratégia para montar o império Anshe Chung Studios de especulação imobiliária no Second Life.
Empreendedores que prentendem investir na rede, ouçam a mulher. Antes de imaginar que será fácil vender mochilas e pacotes de viagens virtuais, saiba que Graef gastou horas jogando e criando relacionamentos em outras redes.
O exemplo de Graef, conhecida online como Anshe Chung, é o ápice até agora de uma economia que transforma o virtual em grana real – antes da interação proposta pelo SL, empresas chinesas viviam de empregar gamers que vendessem armas e magias em MMORPGS.
Em outras palavras, Grafe é uma jogadora que, após ver a maioria dar áreas no SL já cobertas por grandes empresas, apostou na construção de casas, sítios e terrenos.
Há quase três anos no SL, Graef afirma que não tem o milhão de dólares que alardeou ter atingido e antevê empresas com faturamento de US$ 10 milhões em poucos anos, mas aconselha parcimônia para novos empreendedores.
Atualmente, o mercado do SL movimenta US$ 4,7 milhões (!!!!) e já havia chamado a atenção da revista Business Week em maio, com o avatar de Graef na capa.
No Brasil, G1, Agência Click, Ginga, DM9DDB e Volkswagem já têm espaços no SL.
cabeça vazia + domínio fácil = phishing!
A F-Secure começou uma campanha em seu blog na última semana contra uma destas brechas medonhas que a legislação online tem.
Por meio de uma carta aberta do Mikko Hypponen, chefe de pesquisa da F-Secure, aos chamados “registrars”, a empresa finlandesa se mostrou publicamente contra a falta de critério no registro de domínios internacionais.
Brasil-il-il mais uma vez. O Registro.br pede nome, endereço e CPF veiculados ao registro terminado em “.br” para evitar (dificultar seria o verbo correto) endereços maliciosos.
Após encontrar um phishing no domínio “signin-ebay-c.com”, legalmente registrado, Mikko se colocar alguém aprovando domínios para que armadilhas digitais como esta não passem.
Faz total sentido. Enquanto ainde houver domínios que se pareçam com eBay, MySpace, Amazon e o escambau sendo registrados, não há ferrameta antiphishing que combata tanto perigo.
Update: Quer ver o tamanho da brincadeira? Segundo o AntiPhishing Working Group, o número de novos phishing cresceu assustadores 757% entre outubro de 2005 e outubro de 2006.
O número foi de 4.367 URLs para 37.444 URLs em um ano. Não há antiphishing de IE ou Firefox que dê conta de uma onda desta.
música legal: a campanha começa em casa
A campanha pela música digital legalizada no Brasil vai mal. Não bastasse a falta de tato da ABPD nos processos brasileiros (20 lojas online aonde, IFPI?), as operadoras de banda larga mantêm uma postura duvidável.
Na Rolling Stone deste mês – que tem um Guia de Natal high-tech escrito pelo cumpadre Henrique Martin – , a Telefônica promete “milhares de música por 9,90 reais” em uma promoção natalina do Speedy.
No primeiro semestre, foi a vez da Net veicular em TV a propaganda em que um “vagabundo” admite que baixa música, assiste filmes e joga online por apenas 99,90 reais por mês.
Não é difícil concluir de onde vem tanta música por tão pouco…
na mosca: Daniel Piza e o brasileiro na web
Da coluna do Daniel Piza, um dos únicos jornalistas do Brasil com um site decente, do dia 8 de outubro.
Não esqueça de relacionar o “destempero infantil” com a falsa sensação de anonimidade que muita gente ainda tem por aqui.







