Chá Quente

Jornalismo de tecnologia. Por Guilherme Felitti.

blogs como mídia principal? blergh!

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A popularização dos blogs colocou em xeque a existência de centrais de conteúdo online: com tanta produção de notícias, por que recorrer a um veículo já estabelecido?

Balela. Estudo divulgado pela LexisNexis no começo de outubro mostra que, entre 1,5 mil norte-americanos, apenas 6% recorrem à chamada “mídia emergente” para se informar sobre assuntos de alto impacto, como um furacão ou notícias econômicas.

Por outro lado, canais de TV (50%), rádios (42%) e jornais (37%) são responsáveis por atrair as atenções de grande parte da população dos Estados Unidos.

O resultado da pesquisa coloca em risco a maturidade de blogs, podcasts e wikis como fontes de informação na internet? Longe disto. No mundo real, qualquer banca também expõe o New York Times e a Hora do Povo – muito embora, pela facilidade de ferramentas, a balança online esteja mais para cá que pra lá.

A postura de encarar blogs com pouco credibilidade jornalística se reflete também no mercado brasileiro, como mostra a pesquisa Blogosfera Brasil, divulgada de maneira percursora pela consultoria Verbeat também em agosto.

A elitizada audiência de blogs (com banda larga, faculdade completa e da região Sul-Sudeste) relaciona seus acessos mais por diversão (90,4%) que por informação (72,5%) – muito embora esta última cifra seja surpreendetemente alta.

Mas quantos blogs jornalísticos de prestígio e credibilidade você conhece que nasceram como blogs e não estão veiculados a grandes centros de mídia? Pois bem, prazer.

Por que, por mais que jornalista não saiba blogar, como defende o esperto Júlio Dário Borges no Digestivo Cultural, a imensa maioria de blogs está amparada por grandes editoras ou veículos online.

Veja Ricardo Noblat, Marcelo Tas, Daniel Piza, Josias de Souza e a imensa fila formanda na “blogosfera” brasileira – o próprio IDG é exemplo disto.

No pouco crível mercado de blogs dos EUA, nasceu o político Wonkette, por exemplo, que catapultou sua criadora, Ana Marie Cox, ao posto de editora de política da conceituada Time, além do conglomerado Gawker que, crises a parte, se mantém bem e sozinho com seus blogs sobre gadgets e fofocas.

Por aqui, o caminho tomado pelos blogs é o contrário: a empresa de mídia formula um diário como novo canal para antigos profissionais. Tem como a confiança ficar abalada com as velhas caras de sempre?

Written by Guilherme Felitti

October 25th, 2006 at 5:52 am

  • Sem dúvida, Lino. Tanto que a pesquisa da Verboat indica evidentemente (e infelizmente) isto. A conclusão não é errônea: grande partes dos blogs hoje ainda está é sinônimo de agenda adolescente.
    Problema também é que a visão reflete na mídia em geral, o que dificulta blogueiros não ligados a grandes meios de ganharem atenção, ainda. Uma pena. Abraço
  • Guilherme:
    Concordo com você, mas acho que uma das razões, no caso dos blogs brasileiros, é que a grande maioria é feito somente para diversão, um diário íntimo, digamos assim.
    Poucos, muito poucos, fora da grande mídia é que se aventurou pela notícia.
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