Archive for October, 2006
OLPC: de (novo) nome novo e parto marcado
Rápidas observações sobre o notebook de 100 dólares. Mais uma vez, Nicholas Negroponte mudou o nome do aparelho – do simpático 2B1, já citado no seu livro “A Vida Digital”, de 1995, a denominação agora é XO, segundo notícia da CNN.
A segunda troca oficial – de CM1 para 2B1 para XO – ainda não consta no wiki do projeto One Laptop per Child e foi anunciada por Negroponte durante a conferência Forrester´s Consumer Forum 2006.
A apresentação de Negroponte no evento, que se ocupou em esculhambar críticas de Bill Gates novamente, motivou dúvidas sobre os primeiros países a receberem os notebooks.
Diferenças entre o mapa apresentado pela OLPC e por Negroponte apontam divergências sobre o envolvimento de países como Mongólia e Casaquistão e a participação de México e até mesmo Espanha, segundo o cumpadre Wayan do OLPC News.
As atualizações diárias no Laptop.org ainda não esclarecem a questão, o que não se revela uma crise internacional.
Sabe-se que os primeiros protótipos de testes do XO já começaram a ser produzidos pela taiwanesa Quanta, abrindo espaço para a produção em massa a partir do primeiro semestre de 2007.
O papel do Brasil já é fechado, ainda mais com a eleição definida: o país será um dos cinco onde os notebooks chegarão primeiramente, com direito a verba (ainda confidencial, revelam fontes do Governo) já reservada no budget de 2007.
A reserva do budget, já garantida pelo Mininstério da Educação no primeiro semestre de 2006, desmontou a promessa feita pelo então candidato Aloísio Mercadante que, na TV, apresentava o notebook e prometia trazê-lo às escolas do estado de São Paulo caso eleito.
Mesmo que José Serra não tenha feito propaganda (ou, cá entre nós, tenha tido consciência do projeto), os notebooks educacionais chegarão a São Paulo, provavelmente, junto a Brasília nos primeiros testes brasileiros.
do youtube/google: letterman põe o´reilly no bolso
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mCS38OSsL4c]
O vídeo não é novo (foi transmitido pela CBS em janeiro), mas vale cada um dos seus 11 minutos e 41 segundos.
O sempre genial Dave Letterman recebeu em seu Late Show o comentarista da Fox News ultra-direitista (trabalhando ali, seria outra coisa?) Bill O´Reilly.
Num papo extremamente tenso, Dave esculhamba O´Reilly, que já afirmou combater blogueiros com granadas se fosse seu adorado Bush, quanto à comemoração do Natal e à perda de entes queridos em guerras a ponto de fazer detratores do Governo dos EUA delirarem.
O resultado é um espancamento moral contra O´Reilly que termina com Dave, que já esclareceu muito bem sua visão sobre os atentados, afirmando que 60% do seu discurso é merda (tradução livre para “crap).
Em outubro, O´Reilly voltou e o embate entre ambos atinge o ápice no diálogo publicado pela já presente no YouTube CBS.
“O´Reilly – Você quer que os Estados Unidos ganhem no Iraque?
fome de mióóóólos em São Paulo
Depois de Toronto e São Francisco, é hora dos mortos andarem em São Paulo. No (pior) estilo flash-mob caipira, acontece no dia 2 de novembro a primeira Zombie Walk genuinamente brasileira, casando num trocadalho de mau gosto com Finados.
A andança dos cadáveres começa sob o MASP (existe algum evento deste naipe que não seja na Av. Paulista?) e se prolonga até uma balada em Pinheiros.
A apresentação é aquela mesma: camisas rasgadas, sangue pingando da boca, uma das pernas mancando ea multidão pedindo miolos. Vai ser ruim, mas vai ser bom.
frases – John Kennedy, presidente da IFPI
“Depois que comprei alguns iPods, sentei para conversar com eles para que não me dessem nenhum problema” John Kennedy, presidente da IFPI, mostrando aos filhos pré-adolescentes um novo preceito da pedagogia infantil instaurado por executivos da indústria de cultura digital: nada de músicas ilegais, ok?
google (tenta) bota(r) ordem na bagunça
Depois da sucessivas crises enfrentadas pela rede social Orkut frente ao Ministério Público Federal, o que levou a Google Inc. em considerar fechar seu escritório nacional, o Google Brasil resolveu se mexer e contratou na última semana um gerente de comunicação.
O nome ainda é um segredo mas já se sabe que o executivo terá um perfil voltado mais ao gerenciamento de crises do queo manejo com a imprensa, que deverá continuar com a agência Comunale.
Espera-se que a entrada do novo gerente amenize outro problema do Google no Brasil – a de executivos mais ensaboados do mercado de TI no Brasil. Coletivas de imprensa no Brasil já começam a se caracerizar por diretores que primam na arte do falar muito sem falar nada.
Já foi assim na inauguração do Google Books Search e no recente anúncio de novas funções de segurança para o Orkut – como funcionam e quando serão inauguradas, ainda é um mistério.
Mino Carta passando a limpo
Patrono do jornalismo nacional, Mino Carta entrou para a blogosfera brasileira no balaio de “celebridades” convocadas pelo iG para potencializar seu “peer-content” com uma leve adaptação.
O slogan “Direto da Olivetti” reproduzido no blog não é uma piadinha sofisticada sobre a evolução do tempo. Carta escreve todos seus posts na própria máquina de escrever e os envia à secretária, que passa o texto para o PC e, finalmente, os publica online.
A exemplo de Mário Sérgio Conti, Carta se mostra um rapaz bem old school – o que não é desmérito algum. Dica da querida Braun.
blogs como mídia principal? blergh!
A popularização dos blogs colocou em xeque a existência de centrais de conteúdo online: com tanta produção de notícias, por que recorrer a um veículo já estabelecido?
Balela. Estudo divulgado pela LexisNexis no começo de outubro mostra que, entre 1,5 mil norte-americanos, apenas 6% recorrem à chamada “mídia emergente” para se informar sobre assuntos de alto impacto, como um furacão ou notícias econômicas.
Por outro lado, canais de TV (50%), rádios (42%) e jornais (37%) são responsáveis por atrair as atenções de grande parte da população dos Estados Unidos.
O resultado da pesquisa coloca em risco a maturidade de blogs, podcasts e wikis como fontes de informação na internet? Longe disto. No mundo real, qualquer banca também expõe o New York Times e a Hora do Povo – muito embora, pela facilidade de ferramentas, a balança online esteja mais para cá que pra lá.
A postura de encarar blogs com pouco credibilidade jornalística se reflete também no mercado brasileiro, como mostra a pesquisa Blogosfera Brasil, divulgada de maneira percursora pela consultoria Verbeat também em agosto.
A elitizada audiência de blogs (com banda larga, faculdade completa e da região Sul-Sudeste) relaciona seus acessos mais por diversão (90,4%) que por informação (72,5%) – muito embora esta última cifra seja surpreendetemente alta.
Mas quantos blogs jornalísticos de prestígio e credibilidade você conhece que nasceram como blogs e não estão veiculados a grandes centros de mídia? Pois bem, prazer.
Por que, por mais que jornalista não saiba blogar, como defende o esperto Júlio Dário Borges no Digestivo Cultural, a imensa maioria de blogs está amparada por grandes editoras ou veículos online.
Veja Ricardo Noblat, Marcelo Tas, Daniel Piza, Josias de Souza e a imensa fila formanda na “blogosfera” brasileira – o próprio IDG é exemplo disto.
No pouco crível mercado de blogs dos EUA, nasceu o político Wonkette, por exemplo, que catapultou sua criadora, Ana Marie Cox, ao posto de editora de política da conceituada Time, além do conglomerado Gawker que, crises a parte, se mantém bem e sozinho com seus blogs sobre gadgets e fofocas.
Por aqui, o caminho tomado pelos blogs é o contrário: a empresa de mídia formula um diário como novo canal para antigos profissionais. Tem como a confiança ficar abalada com as velhas caras de sempre?
Frases – Bob Pisano, presidente da MPAA
“Que direito os espectadores têm de assistir a um programa sem comerciais?” Bob Pisano, presidente da Motion Picture Association of America, em visita ao Brasil, demonstrando por que associações de direitos autorais em filmes e músicas estão sendo arrastados pelo compartilhamento online multimídia.
do youtube/google: o filet do whose line
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Rng8VG59K3I]
Além da tonelada de vídeos com quadros do programa que você encontrar no YouTube, alguma boa alma publicou o especial com as melhores piadas do “Whose Line Is It Anyway?” dividido em cinco partes.
Com um pouco de atenção no inglês enrolado, o especial é de virar no avesso de dar risada, principalmente por quadros cortados pela rede ABC – dá uma olhada no quinto vídeo – e a tonelada de “Scenes from a Hat”.
Qualquer busca no YouTube retorna centenas de pedaços dos shows com as piadas de Colin Mochrie, Wayne Brady e Ryan Stiles (Styles pra presidente!), além da risada ácida do Drew Carey. Corra!
Em São Paulo, a querida Dani Braun dá um toque que o Jogando no Quintal usa as mesmas improvisações sobre um cenário simples, centrado em futebol, pra causar aquele efeito de dor na barriga semelhante ao “Whose Line”. Fica na Pompéia e custa 30 reais.
IFPI pra brasileiro ver e pagar

A vinda de John Kennedy (esquerda), o executivo com nome de presidente dos EUA que divide com Bob Pisano, da MPAA, o título de estraga-prazeres da web, ao Brasil não foi a toa.
A IFPI anunciou que já está processando 20 brasileiros por oferecer na internet grandes quantias de música – em entrevista ao Jornal Nacional, o presidente da ABPD, Paulo Rosa, afirmou que a primeira leva atingiria só quem oferece mais de 3 mil músicas pra comunidade.
Quem não compartilha nada está seguro? Não a longo prazo. Em entrevista ao Now!, Kennedy foi claro ao dizer que os ataques se concentrarão por longo tempo aos “pilares” do P2P nacional, os grande “uploaders”.
Os segredos correm em segreado de Justiça e os envolvidos, até agora, não sabem que serão processados. Nem Kennedy nem Rosa precisaram a multa imposta aqui no Brasil. Lá fora, o valor ultrapassa 3 mil dólares.
A ação gerou protestos de grupos capitaneados pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, comandada pelo bacana Ronaldo Lemos, representante da Creative Commons no Brasil (fico devendo o link por hora).
O movimento, alertado pela Roberta no comentários do aviso da coletiva do Kennedy, tem direito até a petição online, disponível pelo projeto A2K.
Tanto Rosa como Kennedy argumentam que o mercado brasileiro de música digital já é maduro, com seus 10 sites de comercialização, a ponto de não precisar do iTunes.
O que ambos esquecem de dizer é que seis deles são veiculados e usam os mesmo preços e catálogo do iMúsica, o que faz com que haja apenas três sites independentes – soma-se Sonora, do Terra, e MegaStore, do UOL.
Diretor-geral da iMúsica, Felipe Llerena disse ao Chá Quente defende a atuação da IFPI com ressalvas à falta de flexibilidade tantos das gravadoras como dos usuários no mercado de música online no Brasil.
“O alvo é muito mais sério do que usuário imagina. Tem gravadora de mais de 100 anos de atuação que enfrenta uma burocracia tremenda para se ajustar. Isto é natural. Não justifica, porém, não ter flexibilidade. Precisa consquistar usuário. Ninguém vai deixar de baixar enquanto gravadora não agradar, der uma música de o cara comprar duas”.
Llerena ainda acerta na mosca quando diz que “bota sua mão no fogo que 80% dos downloads ilegais é Top 100, é a parada da Joven Pan”, ou música que nego baixa, escuta três vezes e esquece.
“O lucro de verdade está com estes 20% que gravadora nenhuma está acreditando”, e que o BitTorrent lá fora está apostando pesado pra bater de frente com o iTunes em vídeos – é disto que trata a Cauda Longa, que tu ainda vai escutar falar bastante.
O que me parece claro, que executivos odiados pela comunidade em geral, como Kennedy e Pisano, já aprenderam, é que não dá pra tratar o assunto sem o mínimo de informação e tato – isto gera um ranço maior ainda.
Sem entrar no mérito da IFPI e da ABPD, artista brasileiro que se digna a atacar a distribuição de música online com os velhos argumentos de um media training vagabundo de 10 minutos é de dar, no mínimo, nojo.








